quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Copenhaga e o acordo de mercadores

Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2009:
Assistimos com relativa ansiedade ao decorrer da maior cimeira de sempre relacionada com alterações climáticas, fenómeno ainda envolto em polémica mas cuja preocupação é já unânime.

Terminada a conferência de líderes de quase 200 países, ficámos com um acordo registado ("tomado nota") mas não adoptado, ou seja, voluntário. Não foi subscrito por todos os países nem é vinculativo mais se assemelhando a um "orçamento redistributivo" - estrato de vários compromissos assumidos individualmente (na sua esmagadora maioria vagos, imprecisos e não fiscalizáveis).

E se muitos acreditam que Copenhaga foi um relativo sucesso "é melhor isto que nada", outros acreditam que foi uma certidão de óbito.
Se houve um encontro desta envergadura em que todos assumiram à priori como vital e inadiável chegar-se a um acordo arrojado e vinculativo, e obtêm-se como resultado um quase nada, qual a credibilidade que a "cooperação internacional" projecta numa sociedade de 6 biliões?
Qual é o nível de preocupação pelo Planeta que é transmitido com este insucesso?

A palavra "crise internacional" abafa um pouco as críticas, mas se num momento em que se pode agir, o mundo fica-se pela fotografia de uma sessão de discursos e acções que comunicam "façam o que eu digo mas não façam o que eu faço", então quando é iremos agir?

Todos os líderes acordaram nos princípios (clichés) ambientalistas, humanistas e planetários.
Todos acordaram que a responsabilidade dos países industrializados é superior à dos subdesenvolvidos e que deve haver solidariedade nessa óptica.
O que falhou afinal em Copenhaga?
A cimeira não era para evidenciar o óbvio nem para discutir o grau de veracidade ou perigosidade do fenómeno das alterações climáticas.
O objectivo fora a busca de um acórdão proporcional em metas e obrigações entre os estados da ONU. Em cima da mesa estiveram essencialmente simples números económicos como percentagens de redução de emissões e valores de contribuição aos países pobres e em desenvolvimento.

Ora se nunca houve a "solidariedade" da comunidade Internacional para determinar a erradicação da fome e da extrema pobreza no Continente Africano, como se poderia esperar que houvesse "generosidade" em financiar energias limpas e independência do petróleo?
E se num acordo de amenização de alterações climáticas, o pior cancro da economia global que é o petróleo foi totalmente omitido da mesa, esta cimeira é o quê senão um golpe publicitário resultando num redondo fracasso que humilha todo o âmago de cada ser humano?

Parece que o facto da evolução das alterações climáticas não serem tão abruptas (choque), facilita o comodismo e dificulta as cedências.
E mais parece que esta cimeira foi uma reunião de demonstração de virilidade nacional em que os EUA se recusam a financiar a China, a China recusa-se a ser fiscalizada, o Canadá não quer fazer nada e o Brasil acompa os EUA na elaboração do vazio acordo...

E a União Europeia?
Os líderes europeus "choram" que a sua liderança na luta contra as emissões poluentes não tenha como seguidores as grandes potências mundiais, perdendo-se oportunidade de a UE tirar vantagens políticas do vanguardismo que ainda detém.

Mas ao invés de se apontar culpas e de se demitirem, atirando a responsabilidade da inacção ao falhanço das negociações de gigantes cimeiras pomposas que todos anteviram desiludir, fariam melhor figura apostando no exemplo individual de cada nação, promovendo uma nova forma de concorrência internacional pelos investimentos em energias limpas.

Desde quando é que os vizinhos não fazerem bem é desculpa para não o fazermos nós próprios?


*O resultado prático da cimeira cingiu-se a um acordo para a criação de um fundo climático para os países mais pobres, de 30 mil milhões de dólares para gastar até 2012. Destaca-se que a União Europeia e o Japão oferecem cada um o triplo do oferecido pelos EUA!...

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Portugueses cada vez mais ameaçados de extinção

Em 1960 a esperança média de vida à nascença era de 61 anos nos homens e 67 anos nas mulheres. Hoje é de 75 e 82 anos, respectivamente.

Se o envelhecimento causado pelo aumento da esperança de vida é um sinal de melhoria das condições de vida e da saúde, já o envelhecimento de base causado pelo declínio da natalidade não augura nada de aprazível...

Hoje foram conhecidas as estatísticas demográficas (INE) do ano de 2008 (ver aqui) confirmando mais uma vez as tendências progressivas que se têm vindo a registar nos últimos anos.

O início do período de declínio está iminente.
Já em 2007, pela primeira vez de
sde 1918 o país teve mais óbitos do que nascimentos (recessão populacional).

É mais relevante ainda se termos em conta que o número populacional só se manteve em escasso crescimento pelo fundamental peso dos imigrantes e respectivas taxas acrescidas de fertilidade, natalidade, fecundidade e nupcialidade.
Porém, a recente crise tem feito regressar muitos dos imigrantes e pelo facto Portugal prepara-se para assistir ao primeiro ano de declínio da população nacional desde 1918.

Um outro facto que é preciso ter em conta para a estabilidade demográfica do país é a progressiva redução de casamentos celebrados e no mesmo tempo, aumento dos divórcios.

Ora observando a estrutura etária da população portuguesa e considerando as suas tendências sociais evolutivas, adivinha-se uma perca de oportunidade das faixas etárias em idade de conceber família.

Já se perdeu a oportunidade de impedir o inevitável achatamento da pirâmide etária nos próximos 30 anos.

As faixas de maior amplitude (actualmente 30-50 anos) passarão em 2045 para a classe etária dos 65-85 anos).
Não só se verificará a classe "reformada" abruptamente ampliada, como toda a população activa se verá reduzida e em declínio.

O desastre que seria a INVERSÃO da pirâmide antecedendo o fim dos Portugueses enquanto nação expressiva não é tão longínquo assim.
É preciso preveni-la!


Os bebés que vierem ao mundo esta semana, serão nas próximas décadas os primeiros Portugueses em minoria etária face a milhões de portugueses em idade de reforma.

O que está em causa não são apenas os sistemas de segurança social que sofrerão obrigatóriamente alterações pesadas.
Mesmo o crescente peso da multiculturalidade (imigrantes, estrangeiros e descendentes) na sociedade, portuguesa será bem absorvido pelo país.

A questão é se Portugal suportará tornar-se pela primeira vez na história, num "país de velhos"?
Trata-se de um horizonte desconhecido, que não deve ser substimado.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

O tigre do Espectro político nacional

Substimado por comunicação social, comentadores e bloggers, estamos a assistir a um fenómeno político pouco estudado, mas que apresenta contornos que poderão afectar estruturalmente o partidário português nas próximas legislaturas...

No final de Outubro, o barómetro político da Marktest (empresa de sondagens mais credível de 2009) revela nova subida da popularidade de Paulo Portas.

E não é uma subida qualquer. O líder partidário que em 2008 chegou a ser o líder menos apreciado é hoje o líder partidário mais popular do espectro com o recorde de 50,5 pontos e em crescendo (também supera o Primeiro Ministro no índice de expectativas).
Com mais popularidade que Paulo Portas, só mesmo o Presidente da República (actualmente com 58,7 pontos e em queda).


E não se trata só de números. É reconhecida a qualidade e o poder argumentativo das suas intervenções objectivas e claras sem rival no emiciclo, e em crescente penetração ideológica na sociedade, o mesmo sucede com Nuno Melo e Diogo Feio.

Perceptível até pelas recentes intervenções e aproveitando a terrível baixa do PSD, desagregado, desmontado e desvigorado, Paulo Portas arrisca comandar os espíritos unitários de toda a oposição.

A comunicação social e os próprios partidos substimam os efeitos deste "salto" do PP, invocando o argumento de que com a chegada de um novo líder Social Democrata, o voto útil retornará ao PSD.

Mas é preciso ter atenção que o PP já demonstrou saber lidar com o voto útil e segurar eleitorado, e que o próprio PSD mesmo com um novo líder, enquanto recupera ou não recupera, subsiste a guerra de facções, barões e gatos ensacados que só desacreditam o partido que precisa de cheirar o poder para se unir.

Estamos perante um facto inédito na democracia portuguesa pós 25/74: CDS na sua melhor forma, em crescendo, enquanto que o seu concorrente PSD está na sua pior forma e sem espaventosa recuperação à vista.

Entretanto, a actual óptima posição de Paulo Portas lá vai consolidando eleitorado e influenciando tudo à sua esquerda.
Os próprios eleitores agnósticos da dicotomia Esquerda/Direita (que ainda são bastantes) estão seduzidos e susceptíveis de serem convertidos em democratas-cristãos ou aproximarem-se dos seus princípios.

O PSD suporta por isso um acrescido pesado fardo para os anos vizinhos: ou se faz acreditar ser capaz, e mais importante, ser merecedor de substituir o Partido Socialista no Poder, ou então teremos nas próximas eleições o CDS a conseguir não só manter o eleitorado, como a conquistá-lo ainda mais.

Perceba-se que embora o CDS tenha 21 de
putados enquanto o PSD 81, em votos, o CDS tem 36votos por cada 100 do PSD.
E enquanto que o PSD tem todo um trabalho de recuperação e credibilização para fazer (o que só acontecerá após o Partido alcançar um patamar de unidade), o CDS tem caminho aberto para descobrir novos horizontes.
Enquanto os militantes do PSD estão e estarão divididos e desiludidos, os do CDS estão entusiasmados e motivadíssimos para fazer mais e melhor.

Qual a importância da moral dos soldados nas batalhas?
Com a estagnação à Esquerda, estão abertas portas a alterações no Centro e Direita portuguesa...

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Instituição das Regiões administrativas

A 8 de Novembro de 1998 os Portugueses pronunciaram-se sobre uma proposta de instituição das regiões administrativas em concreto, tenho ganho o não, sem carácter vinculativo e segundo muitos, por péssimo esclarecimento e mobilização ao voto.

Para quem quiser saber o que esteve verdadeiramente em jogo no referendo e a organização prevista para as regiões, recomento a leitura do panfleto da CNE aqui.
Recomendo ainda a leitura regular do blogue http://regioes.blogspot.com


Melhor, para todos quanto se interessam pelo processo de regionalização, recomendo efusivamente a leitura das notas de José Reis (CESC) sobre o processo de regionalização 1995-1998, disponível aqui.


Pela qualidade do documento de Abril de 1998, coloco aqui uma pequena parte de destacar:

"(...) A actual estrutura dos aparelhos estatais está já extensivamente espalhada pelo território, mas essa não é uma fonte de eficiência e eficácia pública, muito pelo contrário.
A opinião pública sabe é que a reforma do Estado é uma tarefa que tem tanto de urgente como de difícil.
Reforma, neste contexto, quer dizer uma articulação adequada entre as esferas da administração central, regional e local, e, principalmente, um modo credível de aproximação às populações e de capacidade de regulação pública.


A esfera pública em Portugal sofre de defeito paradoxal de ser, ao mesmo tempo, excessiva na burocracia e na sobreposição ineficiente de aparelhos administrativos e deficitária nos serviços que rpesta e nos projectos que impulsiona. Ao contrário da marioria dos países modernos , em que houve preocupações de estabelecer vários níveis de governo que superassem a distância entre uma Administração Central destinada a outras tarefas e um poder local frágil e desapoiado, Portugal não tem senão estes dois estratos de organização das políticas públicas.

Os custos da não-regionalização presentes no funcionamento actual da máquina do Estado espalhada pelo território são fáceis de explicar: há hoje em cada uma fas cinco regiões-plano existentes largos milhares de funcionários em organismos que são apenas a "antena" regional dos ministérios; todos estes serviços estão estruturados segundo uma relação vertical centro-periferia; não existe uma lógica horizontal (territorial) através da qual eles se articulem entre si em cada região; a própria área de actuação dos serviços regionais desconcentrados, para além de serem sectoriais e organizados verticalmente perante uma lógica ministerial assente em Lisboa, não coincidem uns com os outros ne se relacionam organizativamente entre si.

Nada disto é, em si mesmo, estranho, visto que não foi um projecto de descentralização que formou esta infra-estrutura administrativa.
Mas o que é certo é que uma situação deste tipo é altamente ineficiente, para além de que não dá às políticas públicas a base territorial de que elas necessitam para serem bem aplicadas. Os ganhos da produtividade que derivem da reforma desta máquina de milhares de pessoas serão incomparáveis com os custos de meia dúzia de lugares que são necessários para preencher cada junta Regional.
A desproporção do que está em jogo é tal que nem vale a pena aludir os muitos lugares que a regionalização anulará
(...)"


Com o Governo e toda a Assembleia da República a favor da regionalização, de que se espera? (não esquecer que a reforma dos municípios tão necessária terá mais facilidade em ser implantada pós-regiões administrativas)

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

O DESenvolvimento de Portugal

Um pouco de estatísticas para acompanhar as modas:

Foi recentemente divulgado o ultimo relatório de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas (ver aqui), onde Portugal volta a descer posições, desta feita no Índice de Desenvolvimento Humano, passa para o 34.º lugar, muito atrás da Grécia e atrás de países como o Qatar, o Chipre, Koweit ou Brunei.

Posição ainda mais ingrata se repararmos que em 2003 estivéramos na 23.ª posição e temos vindo a decrescer desde aí:
2003: 23.º lugar
2004: 28.º lugar
2005: 29.º lugar
2006: 33.º lugar
2007: 34.º lugar

E se em 2007 nos julgávamos em retoma, e só em 2008 começaram os efeitos da crise, imaginem o resultado dos respectivos futuros relatórios de 2010/11/12... (ainda que compensados com valias das actuais "novas oportunidades")

No Indíce de Educação, Portugal surge apenas no 43.º lugar

Noutros índices, verificamos que Portugal é dos países com menor índice de satisfação (felicidade), estando remetido para 96.º lugar a par de países tão longíquos como o Tajiquistão e o Iémen.

Se pensarmos que nos índices de democracia, Portugal está no 25.º lugar, à frente da Itália, perguntamo-nos:

Que Democracia será esta, que nos levou a ser hoje o país da Europa com mais desigualdades!?...

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Liberdade de imprensa só numa democracia esclarecida

Hoje chega-nos a notícia de que a organização Repórteres Sem Fronteiras considera que a liberdade de imprensa diminuiu este ano em Portugal, com uma queda do 16º para o 30º lugar na lista dos países que mais respeitam o trabalho dos jornalistas.

Aproveito por isso para replicar aqui a primeira parte do artigo de Adelina Oliveira (cujas palavras subscrevo), curiosamente publicado ontem, no Expresso.


"Liberdade de imprensa só numa democracia esclarecida

O Parlamento Europeu reúne-se de segunda a quinta-feira para votar, entre outros, o projecto do orçamento comunitário e a resolução sobre liberdade de imprensa.

Que será que irá sair desta reunião de quase uma semana nomeadamente quanto à liberdade de expressão?
O que sabemos é que sairá uma resolução sobre a liberdade de informação em Itália e noutros países da UE.

Após o recente debate em plenário, os eurodeputados vão votar, na quarta-feira, uma resolução sobre a liberdade de informação em Itália e noutros países da UE. Para além da questão que se levanta em Itália e na Alemanha, o caso TVI foi também mencionado no debate. Vários grupos políticos solicitaram legislação europeia sobre o pluralismo nos meios de comunicação social... " (ver artigo completo aqui)

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Barack Obama com upgrade

Prémio Nobel para Obama:
Esta atribuição foi o maior contributo prestado pela fundação de Alfred Nobel ao Mundo.

A fundação assumiu riscos calculados de perca de credibilidade e independência perante todo o globo e particularmente a Escandinávia.

Não se trata apenas de uma homenagem a um Homem, mas sim uma amplificação do efeito Obama, na sua mensagem de esperança em todas as vertentes a todo o Mundo.


Mais, é um prémio que é atribuído "prematuramente" de forma deliberada condicionando o próprio Obama a responsabilizar-se perante o seu efeito global.
Se ele pensava entrar no Paquistão ou qualquer outra ofensiva bélica, agora pensa duas vezes,
se ele se sentia em progressivo compromisso para com este ou aquele lobby (armamento, tabaco, petróleo, governos, etc..), está agora mais motivado a agir livremente.

Hoje, diga-se o que se disser da validade utilitária dos prémios Nobel, Barack Obama laureado é um Homem melhor.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

O dilema do Eco-turismo para um Algarve assimétrico em desertificação

Uma chamada de atenção para algo que não tem sido equacionado...

É hoje veemente reconhecida por muitos inclusive a RTA que o Eco-turismo (que engloba o de natureza, o rural, o equestre, observação de aves, etc.) para além de um mercado em grande expansão é o embrião do turismo sustentável.
(mapa que ilustra bem os 80% do território algarvio desumanizado....)

Numa Europa em que o Golfe é responsável por 2 milhões de viagens turísticas e que o Eco-turismo é responsável por 20 milhões, o Algarve não deve continuar com vistas curtas.
Embora o Algarve precise cada vez mais de diversificar a sua economia para combater os efeitos da monocultura do turismo, a indústria turística da região tem como único futuro possível passar pela potenciação do eco-turismo.

Sustentabilidade, eco-turismo, tudo palavras elegantes que muitos gostam de regurgitar mas...
Como?
Como estimular e suportar a indústria do ecoturismo?

Eis algumas medidas que Governo não promove e os Algarvios não exigem:
- Abrir cursos superiores próprios (uma licenciatura de eco-turismo em Coimbra não chega!);
- O turismo rural deve passar da dependência do Ministério da Agricultura para o Ministério do Turismo e Comércio;
- Formar os proprietários/exploradores de empreendimentos de turismo rural;
- Criar uma plataforma nacional de reservas turísticas de varias complementaridades e fácil acesso ao potencial turista;
- Promoção do associativismo entre empresários do sector;
- No Turismo Equestre faz falta haver nos percursos unidades de alojamento para o cavaleiro e para o cavalo;
- Os centros hípicos devem ser uma empresa que desenvolva não só o turismo equestre mas também a competição de modo a cada centro poder promover o turismo a cavalo e o turismo do cavalo. Para tal muito contribui a organização de feiras e competições que promovam e valorizem o cavalo lusitano;
- Patrocinar o surgimento de operadores de eco-turismo em Portugal;

Mas ainda mais importante que estas medidas potenciadoras, é preciso ter em conta que:
Não há turismo rural sem ruralidade;
Não há turismo equestre sem explorações equestres;
E não há turismo de Natureza sem pessoas!

Se houver vontade política, haverá novas condições para dinamizar uma nova indústria do turismo que corrija alguma assimetria económica na região.

Mas há um senão...


O impacto Sócio-cultural.
Ser "eco" não pode justificar qualquer investimento em qualquer lugar.
Se não for cuidado, a massificação de uma indústria eco-turística nas zonas de menor densidade pode ter o efeito perverso de descaracterizar a própria etnografia dos locais, levando a um patamar de desumanização mais grave do que o actual.
A perca cultural que pode advir não tem sido estudada. E não se trata somente de capacidades de carga. As culturas locais têm que ser estudadas para evitar choques. Conta, peso e medida, investimento certo no local certo. É preciso nunca desrespeitar os valores algarvios.

Existe portanto um certo risco de que o eco-turismo hoje chamado de vector de sustentabilidade se revele a prazo como um suicídio regional de um Algarve que e caracterizado pela sua riqueza em património natural, edificado e também cultural.

Não queremos certamente replicar os erros da costa massificada para o interior.
Não queremos fazer às populações rurais o que se tem feito aos pescadores.

Por isso a questão de futuro é:
Quando toda a preocupação e estratégias turísticas focam o económico, seremos nós capazes de estudar e actuar preventivamente para que os efeitos nocivos que a proliferação de turistas para o interior possa provocar na cultura das populações nativas e no futuro da região?

Tenhamos todos nós isso em conta.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Os hidrocarbonetos e os fantoches...

A lei do Petróleo continua a vigorar e a reger a economia Mundial.
Hoje, no dia em que o barril volta a ultrapassar os 72 dólares é feito forte artigo no Jornal "The independent" com novo alerta para a "catástrofe eminente" da escassez do petróleo.

A dramatização é a mesma de sempre, enfocando que a procura aumenta incontrolavelmente e que a oferta diminui...

Isto tem um nome - ESPECULAÇÃO.
A verdadeira ciência comprova que a escassez natural dos hidrocarbonetos no curto prazo é um mito, e que serve o próprio petróleo e suas potências e não o ideal ambientalista.
A escassez é deliberada pela especulação e medidas concertadas e o petróleo só sairá de mercado quando deixar de ser rentável.

Quando um sistema funciona por especulação a lei da oferta e procura não é lei mas sim uma ferramenta manipulada e desiquilibrada.

O sistema da economia petrolífera funciona pela contradição:
Enquanto que as grandes petrolíferas afirmam a sua prosperidade defendendo que há petróleo suficiente para as próximas décadas e com grandes reservas por explorar, a especulação chega até nós através de entidades "isentas".
Deste modo é garantido o superior interesse comercial das petrolíferas: A confiança dos accionistas mantém-se ao mesmo tempo que é justificado o aumento do preço por barril.

Analisemos os contras desta situação.
Os problemas ambientais são "alertados" e as energias alternativas são estimuladas. A indústria dos hidrocarbonetos cresce e a respectiva economia prevalece "saudável".

O problema é que apesar de aparentemente este esquema resultar para todos os intervenientes, é sacrificada a dignidade humana.
Esta continuada manipulação natural vinga sob perda da verdade e de honestas intenções.
E assim meia dúzia de lobos fazem dos cordeiros, os bobos...

Os valores democráticos também são afectados na medida em que os governos são cúmplices enquanto burocratas administrativos que relegam o ideal humano abaixo da mera gestão económica.
E as pessoas, marionetas, continuam sem opinião nem poder...

Não esqueçamos ainda que a factura da balança comercial do negócio dos hidrocarbonetos continua privilegiando os Estados Unidos, Rússia e China, em detrimento sobretudo da Europa e África, zonas exploradas, de líderes viciados ao lobbie para nos apaziguar enquanto fantoches que somos...

segunda-feira, 13 de julho de 2009

O primeiro aniversário do Despolémico!

Faz agora um ano desde o início deste projecto.
Com ele fica a marca de um ano de debate com leitores e partilha de conhecimento.


Quero agradecer aos cerca de 150 visitantes semanais a sua presença e partilha de opiniões diversas.

Contem com um novo ano ainda mais interessante de posts de informação útil e nada efémera!

Recomendo uma espreitadela aos primeiros artigos lançados em Julho passado:
Os segredos da opção nuclear para Portugal
A despromoção da Língua Portuguesa no estrangeiro

Bem hajam. Voltem sempre.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

A questão é: Qual o futuro da ecologia política em PORTUGAL?

(citação de 2005 do blogue: http://ecopartido.blogspot.com/)

Primeiro vamos então tentar saber o que quer dizer ecologia politíca e fazer um pouco de história:

O que é Ecologia Política?

A expressão eco e ecologia é usada de uma maneira de tal modo desgarrada e sem critério, que me leva já a supor a visão redutora e muitas vezes caricatural que uma grande parte da opinião pública tem da ecologia. Agora quando se acrescenta a palavra política, a idéia que o comum dos cidadãos tem da ecologia passa por uma mudança: o desinteresse, a desconfiança ou um paternalismo que se atribui a uma moda que se acha passageira, transforma-se em curiosidade, franzir de sobrolho ou até perplexidade e soltam-se comentários do estilo: "O que é que esses gajos ( os políticos ) andam a tramar desta vez?
Não há dúvida de que a ecologia política, pelo menos aos olhos da opinião pública, ainda não adquiriu o estatuto de noção clara e distinta. O que é então ecologia? E ecologia política?

A palavra aparece na segunda metade do século XIX. Termo utilizado pela Biologia, em sua origem, a Ecologia é uma disciplina científica, e "É a ciência que estuda a relação triangular entre indivíduos de uma espécie, a actividade organizada desta espécie e o meio ambiente, que é, ao mesmo tempo, condição e producto da actividade, portanto condição de vida daquela espécie".

Aplicada aos homens, a ecologia é o estudo da relação da humanidade com o meio ambiente, isto é, da maneira como se transformam mutuamente e de como o meio ambiente permite que a humanidade viva.

Já sabemos todos e ouvimo-lo constantemente na comunicação social, os cientistas a falar das desgraças que aí vêm ( não haja duvida que virão...), os tsunamis e os furacões e como somos responsáveis por eles, devido ao modo como estamos TODOS ( eu também...) a aquecer esta bola única no negro espaço, as galinhas e as suas gripes, as vacas com as suas loucuras, os outros frangos com dioxinas, o que comemos está contaminado, o que bebemos, o que respiramos...Tudo isso é a ecologia científica que quantifica e explana e deixa sempre no ar que... que o quê?? Que temos que agir...Nós quem?? eu, o zé tuga?? Eu é que tenho de pensar em que medida a nossa organização social, a maneira como produzimos e consumimos, modifica o meio ambiente? Eu?? eu estou preocupado com a conta do carro, do telemóvel, do empréstimo ao banco, aos assaltos, ao levar os putos á escola...

Então, á noite, no escuro do nosso recolhimento deveríamos pensar que: cabe-nos a nós homens, escolher o modo de desenvolvimento que desejamos, em função de valores que evoluem no curso de debates públicos. E quem é que quer saber dessa merda!?!?! O benfica ganhou, não ganhou? Já pago o IVA, o IRS, o IRC, o IMT e o XZQWC, não é?!?!?! Então não me Chateiem!!!!

No entanto e levando em consideração os desequilíbrios provocados pela actividade humana, a ecologia política passa a se interrogar acerca da modernidade e a desenvolver uma análise crítica do funcionamento das sociedades industriais.
Essa análise questiona um certo número de valores e de conceitos-chave sobre os
quais se apóia nossa cultura ocidental.

E a política? e os Políticos? e de que modo é que eu, zé tuga, que não faço a mais pequena ideia... de quase nada de realmente importante, posso influenciar os Políticos, eles é que deveriam ser sábios conduzir-nos, não era? e ter em consideração essas coisas dos passarinhos e das baleias e dos chaparros cortados... que até dão um jeitão lá para a lareira, no meu T1, com vista para a IC19, não acham?

O problema, amigo zé tuga é que os políticos e todos o sentimos nos seus discursos ocos, repetitivos, tipo cassete-carvalhas, agora cassete-jerónimo, não conseguem mudar a realidade e a realidade é que a esperança revolucionária desapareceu do horizonte, o comunismo faliu e o projecto socialista decepcionou. Portadora de grandes ambições durante todo o século, hoje a política está muito debilitada. Não há nenhum mal em que a política se torne mais modesta, entretanto sua actual impotência e seu enfraquecimento face
à economia são extremamente perniciosos. Uma sociedade sem projeto político, entregue às forças do mercado e sugada pela espiral do “produzir cada vez mais” só pode levar ao crescimento das desigualdades sociais e das crises ecológicas. É urgente, portanto, dar novamente sentido e conteúdo à política.

E é isso que o Partido da Terra deseja e quer, mas a pergunta é: e vocês? o que estariam prontos a ceder para mudar as coisas? não esquecer que somos nós os consumidaores que damos o mote para a produção... largariam o carro para ir de bicicleta para o trabalho? afinal temos pouquíssimos dias de chuva no total dos 365 dias do ano... e os detergentes? pagaríamos mais para adquirir os biodegrádaveis? tipo ecover? e a comida? pagaríamos mais agora para poupar na farmácia e no sofrimento daqui a uns anos? e retornar ás aldeias? largando os shoppings da moda?

Ora digam lá de vossa justiça...

sexta-feira, 12 de junho de 2009

A ignorada terceira via...

O problema económico surge porque os recursos das pessoas (e dos governos) são escassos enquanto que os desejos humanos são ilimitados.

Há recursos que não são escassos, os chamados bens livres. Mas a água por exemplo é cada vez menos livre e o próprio ar fresco que respiramos e que abunda de tal forma que o consideramos um bem livre pode tornar-se escasso com o aumento de contaminantes.

A escolha económica é decidir entre diferentes usos de recursos escassos.

Os dois principais sistemas económicos são a economia planificada (ou centralizada) que é a qual em que todas as decisões económicas são tomadas pelo governo. O governo decide o que produzir, como produzir e como ser distribuído aos consumidores, envolvendo um elevado nível de planeamento.
A Economia planificada tende a ser utilizada por governos que tencionam criar equidade entre consumidores. Pelo planeamento do estado, bens e serviços podem ser produzidos para satisfazer as necessidades de todos os cidadãos de um país e não de apenas dos que têm dinheiro para os adquirir.

Temos também a economia de mercado que é a qual em que as decisões são tomadas através do sistema de mercado - as forças da oferta e procura, sem interferência do governo a determinar como os recursos são distribuídos.
Neste sistema o que é produzido é definido pela capacidade de lucro de um determinado produto. A forma de organizar a forma de produzir é igualmente determinada pelo que é mais lucrativo. As empresas são encorajadas através do sistema de mercado a adoptar os mais eficientes métodos de produção. A produção é feita para quem tiver poder de compra para ela. Consumidores sem dinheiro não podem comprar nada.

A pobreza e a riqueza na economia vivem flutuando sobre os níveis de escassez e de abundância.
E sendo a escassez a ferramenta útil do lucro, a abundância nunca é promovida ou deliberada pelos mecanismos económicos.

O crescimento económico não é sinónimo de qualidade de vida. Por todo o mundo há cada vez mais pobres e mais fome e nem por isso há mais ricos ou mais justiça.

O Mundo vive num feudalismo misto de entre estes dois modelos, mas há uma terceira via, cada vez mais ignorada e preterida em função dos anteriores:
Economia de subsistência é a do pequeno comércio e pouca especialização. As pessoas tendem a viver em grupos familiares e esses grupos produzem a maioria da sua comida, erguem as suas próprias casas, etc. Em que no limite, os grupos são auto-suficientes. É uma economia tradicional porque é o tipo de economia que tem existido por todo o mundo desde que o homem começou a sua actividade económica.
O quê, como e para quem produzir são decisões que são tomadas ao olhar para o passado. Se uma sociedade conseguiu sobreviver por algum tempo, então o que foi feito no passado teve de ser bem sucedido.
Não existem duas economias tradicionais iguais pelo que neste sistema é portanto impossível de descrever mecanismos económicos pelos quais os recursos são distribuídos. Aqui a ciência global aproxima-se da filosofia da liberdade individual…

Ignorá-la é continuar a votar na insustentabilidade…

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Espírito Soberano, faz de conta.

Aproxima-se um tal de 10 de Junho, onde se celebra não se sabe bem o quê. Um país por cumprir dizem alguns... Toda uma identidade digo eu...

Fora de nacionalismos ingénuos, desperto a consciência para um conceito usado e abusado por todos os pensantes, opinadores e manipuladores de intenções - a soberania.

Falar de soberania de um país é falar de independência, autodeterminação e poder de um povo (se houver regime democrático).
Ninguém ousa afirmar que Portugal não é soberano. O autoritarismo necessita invocar a soberania mantida para justificar a luta contra os que a ela atentam. Por seu lado o anarquismo não consegue defender a ausência de autoridades para algo que não seja autónomo.

Sem soberania Portugal não seria mais que uns limites geográficos. A soberania quer-se porque ninguém abdica de ter uma identidade, um carácter, uma origem e um destino.

Mas até que ponto Portugal é soberano?
Não falemos do "quero posso e mando" que já nada tem que ver com soberania, apenas com orgulho.
O estado obedece à lei?
A lei obedece à constituição?
A constituição obedece ao povo?
Quanto valem as regras?...


Portugal pertence ao Mundo como o Mundo pertence a Portugal. As fronteiras, o mar ou o espaço aéreo não podem ser grades de uma cela. Privar o Mundo de Portugal é aprisionarmo-nos num caixão esperando a morte.
Na nação como na vida, é essencial h
aver pensamento soberano e culto de soberania quer individual quer colectivo. Sem vontade soberana não existe personalidade.

Entidades internacionais ditarem regras a um país não é forçosa perca de soberania. Mas depender dessas regras externas para que as autoridades portuguesas se exerçam, de facto não abona.

Vivemos num país que não depende dele próprio mas de outras soberanias de nações. Pior, de interesses.
Metade dos alimentos que Portugal necessita só satisfazem Portugal porque há outras soberanias que o permitem.
O mesmo sucede com 80% da energia, 80% das nossas políticas, 99% da nossa autodeterminação...
Pescamos nas nossas águas o que outros nos deixam pescar e cultivamos na nossa terra o que outros nos deixam cultivar.

Soberano?
Não. Em boa verdade nem as convicções o são. Nem mesmo a força para todas as acções, para todo o nobre valor - a imperatriz coragem, o é.
Nós aprendemos tão-somente o que outros nos querem ensinar.
Pensamos o que outros nos impingem.
Vestimo-nos e comportamo-nos como o olho social nos quer ver.

Soberania é uma miragem de oásis para quem vagueia num deserto sedento. Um chamariz que nos move no nosso percurso de vida. O contra-balanço do esquecimento.

Faz falta mais independência, primeiro de espírito, depois do corpo.
Entretanto, haja saber viver no meio-termo porque todo o extremo é apenas uma referência.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Pensar Europa além dos 'europismos'...

Com a campanha à porta, os intervenientes políticos das várias candidaturas desdobram-se em assaltos partidários limitando a discussão política à cantiga que já vem sendo cantada internamente...

Analisando a substância dos últimos 2 meses de debate público, eis a que se reduz a discussão europeia - os europismos (por oposição a europeísmos):
- Fundos para combater a nossa crise;
- Votar ou não Durão Barroso;
- Controlar mais ou não o mercado;
- Continuar ou não negociações com a Turquia;
- Vender ou não soberanias nacionais.

O que vai ser da União Europeia com ou sem Tratado constitucional é sem dúvida o tema mais estruturante e importante do momento europeu.
Mas em tempo de eleições para um novo mandato europeu, será só esta a questão de fundo a discutir pelos futuros Eurodeputados de Portugal?
Eu penso que mais haverá, e de grande relevo para o nosso país.

Penso também que a diferença deve ser marcada e como exemplo para os leitores, esmero aqui outros europismos que têm sido esquecidos ou renegados para segundo plano:

A ZONA EURO:
Distinto da zona da União, cresce o número de países interessados em adoptar o Euro como moeda. Para além dos países da União há mais de vinte nações que indexaram a sua moeda à do Euro, catorze das quais africanas incluindo Marrocos e Cabo Verde que contabilizam já 150 milhões de pessoas influenciadas pelo Euro!
Estes semi-aderentes auferem de beneficios da bem sucedida estabilidade da inflação e ganham competitividade extra através de um mais estável e fácil câmbio nas transacções para com a Europa e mercados indexados. Ninguém fala disto? Pois eu vejo nisto um sinal claro que a soberania económica da União resulta onde a tentativa de soberania constitucional falha...

ALARGAMENTO
: Provavelmente o assunto menos importante para o mandato que se avizinha. A União levará todo o mandato a tentar encontrar a melhor forma de gerir a união a 27 estados. E sem que haja consenso entre a forma de gerir a União, não faz sentido a entrada plena de novos membros.
Em todo o caso, desde 1986 que o alargamento da União tem sido feito para Leste. E se agora ponderamos a entrada de Rússias e de Turquias, há que ponderar a entrada de países que estão mais perto de Bruxelas!
Refiro-me aos mediterrânicos como Argélia e Tunísia, ou aos Norte-Antânticos Marrocos ou mesmo Cabo Verde. Trata-se de países demasiado interdependentes da actual União para ficarem marginalizados por algumas milhas de mar e trata-se sobretudo de países mais próximos de Portugal e determinantes no mercado Ibérico.
(Recorde-se que em 1957, ano dos Tratados de Roma, a Argélia integrou a CEE enquanto território francês)

QUESTÃO DE MARROCOS:
Longe de uma eventual adesão, o país não-europeu mais próximo de Portugal reclama por uma aproximação à União.
Deve haver políticas de maior aproximação a um país cujas relações nos podem amenizar os nossos problemas enquanto região periférica da União.
Mas há mais...

Desde 1980 que Espanha e Marrocos trabalham no sentido de tornarem viável a ligação por túnel (ferrovia), tendo a mesma sido defendida junto da comissão europeia em 2007.
Nem a Comissão Europeia nem nenhum país europeu para além da Espanha se tem mostrado interessado em que esta ligação se viabilize.
O que se justifica pelo receio por parte do actual bloco europeu desta ligação trazer valias incomensuravelmente extraordinárias a Espanha (e Portugal!) e elevando o poder da Península Ibérica na Europa.
Ninguém fala disto porquê? Nem o PS que se diz representante da europa em Portugal e que tanto adora TGVs a qualquer custo faz menção desta ligação (mais que não fosse para justificar a sua megalomania).

AESM - Agência Europeia de Segurança Marítima:
Está sedeada em Lisboa na área da antiga Expo'98 (aparte - Parque Expo reduziu recentemente o seu passivo para duzentos milhões de Euros..."só?").

O Orçamento anual desta agência ultrapassa os quarenta milhões de Euros para prestar continuado apoio e aconselhamento técnico à Comissão Europeia e para manter a capacidade de instalar sistemas operacionais de resposta a poluições por hidrocarbonetos.
Não afirmo que seja dinheiro mal gasto, mas muito provavelmente trata-se de uma agência que poderia ir muito mais longe já que a segurança marítima diz respeito a muito mais que um derramamento de crude...

FORÇA ARMADA EUROPEIA:
É no mínimo caricato que se pondere a criação de uma força europeia em prejuízo de forças nacionais quando nem uma Guarda Costeira conjunta se consegue instituir.

A UE foi criada para a PAZ e é a isso que se deve reduzir a sua intervenção militar. Deve haver no entanto planos de contingência mas não esqueçamos que a força europeia já existe de facto.
Às forças dos vários estados, cada um com especiais valências e experiências falta-lhes somente uma unidade de comando com autoridade para coordenar recursos militares de vários países para as diferentes acções de defesa e manutenção de paz que eventualmente se constate.
Esta entidade na forma de coordenação será aceitável em prol do garante da soberania europeia perante o Mundo, mas nunca será procedente que uma força destas se venha a substituir à NATO ou à ONU na sua presença internacional.

Se os europistas que nós temos tido são a nata de Portugal lá fora, então talvez sejamos merecedores do que temos...

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Dia 9 de Maio - Dia da Europa, que Europa?

Como um dos símbolos da União Europeia, comemora-se a declaração de Robert Schuman de 9 de Maio de 1950, o dia seguinte após o fim da 2.ª grande guerra, fecundando o período do pós-guerra com inédita cooperação franco-germânica.

A declaração de 9 de Maio de 1950 marca o início da Europa Federal, e o que começou com uma cooperação da indústria do Carvão e do Aço é hoje uma instituição que interfere na soberania de todos os europeus, controlando mais de 70% das leis de cada estado-membro e preparando-se para controlar em exclusivo as pescas, os recursos marinhos, imigração, etc.

Existe alternativa! O federalismo europeu não tem necessariamente de ser coisa ruim, mas este federalismo proto-ditatorial que temos é hoje a posição vigente e dominante nas instituições Europeias que enfraquece a União.
E enquanto que por Portugal se vai debatendo se há-de ou não ser dada autonomia às regiões, é a própria autonomia da nação que nos continua sendo tirada debaixo dos nossos narizes.
Que pensarão os egrégios avós que tanto sangraram por manter livre e autónomo este país de nobres heranças?

Sendo pró-europeu e por uma Europa forte capaz de liderar o mundo a uma globalização justa e solidária. Dou por mim sonhando por uma Europa que não temos (logo aprofundarei mais este tema)...

Por ora, há outras hipocrisias europeias para além da democrática. Uma das piores é aquela que todos relegam para segundo plano ao menor sinal de crise.

A 9 de Maio de 1950, Robert Schuman ditava "Com meios acrescidos, a Europa poderá prosseguir a realização de uma das suas funções essenciais: o desenvolvimento do continente africano".
Cinquenta e nove anos depois, África continua sendo um assunto marginal, servindo somente de mero aproveitamento político como muitos outros.
Milhares morrem todos os dias por doenças facilmente tratáveis, não muitos menos morrem pela ganância de alguns que ainda assim conseguem o papel de negociador diante dos decisores europeus.

Com a actual crise económica e adjuvado pela perigosidade do H1N1, a Europa do "EU" prepara-se para uma nova era de proteccionismo:
Conhecido como teoria em que o estado protege o comércio ou a indústria nacional favorecendo-o em detrimento do livre-comércio, o chavão do 'proteccionismo' está em voga.
Rodeado de hipocrisia manipuladora, o termo tem sido nos últimos meses repudiado por responsáveis europeus sob a ameaça do proteccionismo diminuir transacções internacionais e a saúde económica.
São os responsáveis dos países ocidentais que mais discursam contra medidas proteccionistas mas é precisamente dos países respectivos que surjem os principais pacotes de medidas de apoio às in
dústrias nacionais como a automóvel.
Enquanto isto a recém-integrada Europa de Leste continua aprisionada pelas limitações seguidas na perspectiva de obter fundos estruturais, cada vez menos certos em função da "crise".

Numa visão distanciada, prenuncia-se que num ritmo egoísta corremos de olhos vendados para uma Europa de fronteiras encerradas ao exterior.
Parece uma catástrofe humanitária, e é!

Não precisa grandes teses, basta olhar para a evolução ao longo de toda a história.
Desde sempre que são as potências mais civilizadas as que continuam a evoluir com maior velocidade social e
tecnologicamente.
Daqui por mais cinquenta anos, podemos ter a sorte de contemplar uma Europa mais liberal, mais humanista, mas vamos tristemente continuar a assistir à realidade internacional de nações como um Sudão, um Congo ou qualquer outro país sem condições de digna sobrevivência.

Sem a presença de uma solidariedade assumida e efectiva, esta irreversível disparidade progressiva entre culturas e nações fará com que as políticas externas de coesão internacional continuem a cair aos pés do proteccionismo.

Faz tudo parte do processo de globalização, mas que globalização nos servirá melhor? Uma que divida por classes os países em avançados e atrasados? ou uma globalização em que quanto maior o poder, maior a responsabilidade?

A coesão europeia é uma tentativa que tem tido os seus frutos. Já o mesmo não se pode dizer da coesão mundial. A ONU não passa de uma ideia desprovida de poder e a concorrência económica entre as sociedades modernas impede-as de tomar responsabilidade pelas nações mais desfavorecidas.

Não me surpreende que a meio do século estejamos numa realidade de guerra aberta entre o eixo das potências com algum nível de avanço, e todas as outras nações que sentindo-se culturalmente distantes, tentam conseguir através do conflito melhores condições de vida.

Educação.
Dá-se dinheiro e dá-se alimentos a quem deles precisa desesperadamente, mas não vejo com optimismo este futuro se não começar a haver uma maior preocupação e acção de globalizar matérias chave como a informação e educação.

Infelizmente se constata que o progresso individual é uma conquista de maior prazer do que a busca pela coesão e solidariedade. E por isso se não abrirmos os olhos, estaremos condenados a um futuro de miséria em que nenhum rico se sentirá rico.

A coesão mundial entre todos os seres humanos só é possível com uma educação disponí
vel para todos. Comparado com isso, o alimentar, financiar ou investir em países pobres é uma esmola temporária que se dá a quem nada tem e nada pode fazer.

Ensinem estes povos a pescar, e se o peixe acabar, ensine-se a produzi-lo! Só assim haverá sempre peixe para todos, pescado por todos.
Desenvolver África não é oferecer-lhes os bens que nós temos, é dar-lhes as capacidades...


Que no dia 7 de Junho, os Algarvios não prescindam do único poder real que ainda detém – o voto.

Paulo Rosário Dias - Candidato ao Parlamento Europeu pelo MPT - Partido da Terra

segunda-feira, 27 de abril de 2009

"O Triunfo dos Porcos, a Desonra dos Bravos"

O sistema não funcionava...
Camaradas militares, oficiais genuínos
Gente disposta contra os cretinos
Tinha que se acabar com a trapalhada!
Chegara o momento da vitória
E sem procurar louvor ou glória
Se iria calar a gargalhada.

Partindo na madrugada
Um oficial liderou para Lisboa
Uns subalternos em brigada
Ocupando do beato à madragoa

Com a democracia desinibida cravou-se os louros pela descida
Desfilando na avenida que antes de ser já o era;
Mas a verdade fez-se bera parindo história iludida
Criando um monstro sem nome...

Depressa se sentiu uma ignorância
Que em toda e qualquer instãncia
Se nos mostrou fazer fraco da gente;

Longe dos tumultos nos trópicos
Começara pois a ditadura
Que com polícias e censura
Conteve a fome dos utópicos;

E sem a ver perdurar
Num surto sem cura
O alegre povo festejou
Legitimando amargura;

Agora a liberdade prostitui um símbolo
Que iguais não definem e dele se faz o que se quer,
Do fraterno uma desculpa, para o que der e vier.

Os ideiais esses,
Só nos espíritos se vivem, só na alma se manifesta
E sempre que a mesma data isso testa
Não há heróis nem canções nem flores
Que nos salvem do que resta...


Paulo Rosário Dias, Abril 2009

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Regresso ao Futuro...

Janeiro de 2007 - mês de desastres naturais (e humanos). Iniciou-se o período climax do efeito despertador de "uma verdade inconveniente" para a problemática das alterações climáticas.
Profetizar, sempre um exercício divertido, fez com que na altura durante uma troca de correspondência mais inspirada me levasse a tecer um cenário futurista sem tendências pessimistas:

"
A experiência da ciência demonstra a imprevibilidade das previsões.
No exemplo da demografia, sempre se previu no séc. XIX um crescimento exponencial em que as projecções fundadas no gráfico do crescimento populacional só por si, indicavam uma população de 20 biliões para 2020, contudo nos EUA o crescimento desacelerado aproxima-se da estabilização. Na Europa, atingido o pico entre 1995 e 2000, agora decresce.

Algumas ideias genéricas de uma previsão, completamente aberta, para 2060:

Parece-me crível antever que o número de pessoas atinga os 25 biliões ainda antes de 2060, salvo calamidades globais como uma terceira guerra mundial, epidemias globais ou outros acontecimentos "apocalípticos".

Mais pessoas implica mais energia. Considerando o nível de esforço dos países em reduzir as emissões (ainda que pouco vigorosa), penso que as emissões em 2060 não serão maiores que hoje.
Poluição:
Poluição atmosférica e águas residuais não representarão problemas de risco maior do que o risco que já corremos. Isto porque apesar do aumento dos poluentes, as práticas de tratamento irão sendo implementadas.
Resíduos sólidos urbanos será um problema! A reciclagem hoje em dia é quase que meramente industrial, movida por factores económicos. Em 2060 ainda se encontrará espaço para Aterros (sob cidades etc.), mas em 2200 não haverá espaço de manobra para o depósito do nosso "lixo". Políticas restringidoras quanto à produção de embalagens e outros produtos não absorvíveis pelo ambiente terão urgentemente que ser reforçadas.

Se considerarmos a evolução positiva da exploração espacial, veremos a possibilidade de o nosso Sol se tornar numa inceneradora brutal, salvando-nos assim da nossa porcaria e por outro lado dar azo ao comodismo irresponsável...

Outras poluições como a poluição sonora e luminosa estarão a crescer a um ritmo desenfreado, auxiliado pela evolução das novas tecnologias, maquinizações e automatizações, o planeta terá cada vez mais uma "iluminação própria". Será igualmente uma fonte de radiações várias ao nível de uma pequena estrela.

Na tecnologia vamos ver inteligência artificial não em máquinas de estimação mas nos próprios humanos. Nós somos os robots do futuro.
O mundo pode nunca ter paz mas todos nós poderemos estar em paz com o mundo se sentirmos dele harmonia. Nunca confundir com o comodismo que chamamos de conforto e que tirar-nos-á o carácter e a identidade individual que nos torna humanos.
E se hoje já temos chips, órgãos artificiais, auxiliares, peças que reduzem o peso ou sensores que substituem sentidos, em 2060 teremos uma infinidade de possibilidades que vão deixar descaracterizada a nossa antropomorfia.

Voltando mais ao estado social, com mais dois terços da população existente, a noção de distancias será muito menor, o factor proximidade será menos relevante para se determinar relações e influências.
O crescimento nos países desenvolvidos estarão estabilizados. Se a imigração conseguir sobreviver com a relativa liberdade, o desproporcional crescimento das diferentes etnias levará a medidas de Controlo da natalidade (protecçionismo à etnia local).
Por outro lado temos países asiáticos como a India e a China que em 2060, serão no seu conjunto portadores de dois terços da população mundial. Isto trará consequências decisivas na evolução tecnológica, nacional, de mercado, e social.
A China irá continuar a exportar humanos para todo o mundo e se por ventura aquela nação ter um impasse na economia, assistiremos estupefactos à maior debandada demográfica de sempre...

Os transportes evoluem, a mobilidade crescente possibilitará a todos a dispersão fácil pelo mundo. Talvez por isso nunca se veja uma China e Índia hiper-lotadas, mas sim uma cara asiática em todas as ruas de todos os bairros em todas as nações...

Com tão fácil mobilidade haverá ainda mais receio face à impossibilidade de se conter a fome, a doença ou o crime que um mundo povoado mas repleto de realidades distintas impulsionará.
A liberdade continuará a caminhar para a mera ilusão, sacrificada em nome da segurança. Haverá então o dilema entre ou proteccionismo ou o controlo. Poderemos até continuar a ver fronteiras abertas, mas tudo e todos estarão registados, controlados e invadidos na sua identidade.”


Em 2007, distante da crise de hoje, era certo como hoje que a ciência económica engenha a mutação do sistema com base nas projecções...
Contudo a ciência social estuda e acompanha mas continua sem engenhar nada... Se as seguintes gerações não compensarem esta falta, os robots do futuro terão menos humanismo que os fósseis do passado.
..

segunda-feira, 16 de março de 2009

Informação no novo milénio.

A par do conhecimento, a informação é a arma mais importante de sempre.
Sempre o será, já Sun Tzu o declarava à 2500 anos.

A informação é a maior ferramenta de manipulação das opiniões.

Ela é usada em função do interesse, quer este seja em prol de uma estratégia nacional, política ou pessoal.
As pessoas sempre usaram da informação para jogar estragemas. Isto constata-se em guerras, concorrência económica e política, não olvidando o interesse pessoal de cada indivíduo.

Quanto maior é o acesso à informação, maior é a importância da habilidade que se têm com ela. Se uma sociedade for muito ignorante, uma simples informação pode orientar drásticamente uma mentalidade, uma opinião, uma posição, uma vontade. Quando uma sociedade é já de si mais permeável à informação, é necessário maior destreza para conseguir os objectivos visados.

Nunca a informação foi tão acessível como hoje. Nem nunca a informação foi tão crucial como hoje na orientação política e na salvaguarda de interesses de uma pessoa, de uma empresa, de uma nação.

A realidade em que vivemos hoje é por isso um constante arremesso de informações, orientadas para um determinado objectivo (mesmo que subliminar). Isto não torna as pessoas mais inteligentes por si só, apenas origina maior destaque de posições entre os mais convictos e maior confusão entre os menos convictos.

DESINFORMAÇÃO.
Considera-se desinformação, quando a informação transmitida visa nublar uma opinião alheia, impedindo-a de olhar a realidade como ela é. Cada vez ela é mais frequente, cada vez ela é mais inevitável. Mas toda a desinformação será sempre um obstáculo no caminho pela Verdade.

Que fazer então face a esta desinformação e informação orientada para tudo menos a verdade?
Bom, na verdade pouco haverá a fazer em relação a isso. Como toda a
informação, a desinformação continuará a ser cada vez mais usada como ferramenta da condução de opiniões e valores.

E apesar de hoje, um maior acesso à informação potenciar capacidades humanas, a posição social não dá atributos a este nível. O Homem estárá tão em risco de estar mergulhado em discernimento ilusório quanto maior for a sua aptidão e habilidade de raciocínio.

Assim, a guerra da informação torna-se também, a guerra da razão.

Se por um lado, uma pessoa razoávelmente sensata e racional se julga capaz de discernir boa informação de má informação, uma pessoa menos instruída na capacidade intelectual, com personalidade menos propícia à contestação da informação disponível, se julgará muito mais manipulável.

Aqui a humildade desconfiada vence a arrogância segura. Sempre foi assim desde à milénios atrás, com a diferença de hoje se tratar de outra escala.

A manipulação de uma
notícia não será incorrecto desde que não prejudique a integridade moral de outrém.
Nunca poderemos exigir a todos os humanos, um pensamento completamente imparcial face à divulgação da informação nem devemos nunca renegar/limitar em nenhuma instância, a liberdade de expressão quando ela não prejudica uma integridade.

Tal como uma lei pode ter diferentes interpretações, sendo umas mais razoáveis que outras (e apenas por isso geralmente reconhecidas como as correctas), um acontecimento, uma acção ou uma atitude podem também ter diferentes interpretações.
Não se trata de dois pesos para a mesma medida, mas sim de interpretações inconscientemente ou conscientemente a dirigir a informação.

Informação é uma guerra que tem que ser travada com todas as armas, e idependentemente dos resultados que uma manipulação dela possa trazer, GANHARÁ SEMPRE aquele que foi isento de interesse e especulação deliberada.

É por isso uma questão de consciência. Muitas vezes sem resultados "justos", mas não esqueçamos que o mais importante é a preservação do carácter.

Infelizmente trata-se de uma questão de consciência num mundo de interesses.
Ninguém come e respira consciência tranquila, todos nós temos desejos e necessidades, e por isso não consideramos a consciência tranquila como o valor absoluto e supremo das nossas vidas.

Mas que ela terá o seu valor, não hajam dúvidas!...

quinta-feira, 5 de março de 2009

Proteccionismo, o papão europeu.

Conhecido como teoria em que o estado protege o comércio ou a indústria nacional favorecendo-o em detrimento do livre-comércio, o 'proteccionismo' está em voga.

Rodeado de hipocrisia manipuladora, o termo tem sido nos últimos meses repudiado por responsáveis europeus sob a ameaça do proteccionismo diminuir transacções internacionais e a saúde económica.
É dos países ocidentais que surjem os principais pacotes de medidas de apoio às indústrias nacionais e são os responsáveis dessas nações os que mais apelam à ausência destas medidas nos países terceiros.
Enquanto isto a Europa de Leste vê-se aprisionada pelas limitações seguidas na perspectiva de obter fundos estruturais, cuja atribuição agora sofreu novo revés.

A hipocrisia europeia fervilha de vida neste tema.
A este ritmo egoísta, corremos de olhos vendados para uma Europa de fronteiras encerradas ao exterior.
Parece uma catástrofe humanitária, e é!

Não precisa grandes teses, basta olhar para a evolução ao longo de toda a história.
Desde sempe que são as potências mais civilizadas as que continuam a evoluir social e tecnológicamente mais rapidamente.

Daqui por 100 anos, podemos viver numa europa mais liberal, mais humanista e mais evoluída, mas vamos tristemente continuar a assistir à realidade de nações como um Sudão, um Congo ou qualquer outro país sem condições de digna sobrevivência.

Por isso, sem a presença de uma solidariedade assumida e efectiva, esta irreversível disparidade progressiva entre culturas e nações fará com que as políticas externas de coesão internacional continuem a cair aos pés do proteccionismo.

Esta é uma questão inteiramente ligada à globalização. Ela é inevitável, mas que globalização nos servirá melhor? Uma que divida por classes os países em avançados e atrasados? ou uma globalização em que quanto maior o poder, maior a responsabilidade?

A coesão europeia é uma tentativa que tem tido os seus frutos. Já o mesmo não se pode dizer da coesão mundial. A ONU não passa de uma ideia sem poder e a concorrência entre as sociedades modernas impede que tomem responsabilidade pelas nações mais desfavorecidas.

Não me surpreende que daqui a 100 anos estejamos numa realidade em que assistamos a uma eterna guerra aberta entre as potências com algum nível de avanço e todas as outras que sentindo-se culturalmente distantes, tentam conseguir através do conflito melhores níveis de qualidade de vida.

Não vejo com optimismo este futuro, e com menos optimismo verei se não começar a haver uma emergente preocupação e acção de globalizar matérias chave como a informação e educação.

Infelizmente se constata que a simples evolução é uma conquista pessoal maior e de maior prazer do que a busca pela coesão e solidariedade. E por isso se não abrirmos os olhos, estaremos condenados a um futuro miseravel.

A coesão mundial entre todos os seres humanos só é possível com uma educação disponível para todos. Comparado com isso, o alimentar, financiar ou investir em países pobres é uma esmola temporária que se dá a quem nada tem e nada pode fazer.

Não é com oferta de peixe que se acaba com as fomes. Ensinem o mundo a pescar, se o peixe acabar, ensinem a produzi-lo! Só assim haverá sempre peixe para todos, pescado por todos.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

O Darwinismo Social... democrata?

Em cada um dos 200 anos após o nascimento de Charles Robert Darwin tem-se comemorado por toda a parte as inspirações que dele surgiram.

Não se trata de celebridade.
Ele não invalidou o criacionismo. Como dizia o grande Agostinho da Silva, porque não considerar a evolução e a selecção natural como sendo sucessivas criações?...

A Origem das Espécies, com mais ou menos inspiração de antecessores como Thomas Malthus, deu o mote à ideia de que tudo na sociedade poderá estar condicionado por uma selecção natural.

Repudiado como doutrina racista e imperialista, o Darwinismo Social é cauteloso no debate filosófico. Afinal o Darwinismo Social assenta na ideia de que a competição entre indivíduos, grupos, nações e ideias determinam a evolução da sociedade humana... Na sua essência esta ideia credita aristocracias genéticas e fere assim o humanismo de toda uma sociedade que aspira todos comos iguais. Um tema melindroso certamente.

Deste pensamento, reconhecendo que os pobres não conseguiriam sobreviver sozinhos, foram criados os primeiros Estados Sociais, como o de Churchil.
Também nele se inspiraram as ditaduras fascistas, os xenofobismos e proteccionismo actuais.

Afinal, o Darwinismo Social é de facto o pensamento dominante. A competetividade é a máxima do sucesso das empresas, dos mercados, das democracias e das pessoas. Os abastados e os pobres evoluem genéricamente em direcções e velocidades diferentes.
Por isto, a manutenção do equilíbrio humano é uma luta constante de todos, e de nada nos vale hipocrisias que nos filtrem a visão do futuro para o qual queremos evoluir.

Em tempos de ameaças e oportunidades da crise, exige-se toda a sobriedade em prol da Sobrevivência das Espécies...

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Saldos nos cuidados de saúde!

São quase 300 as diferentes taxas moderadoras que desde ontem se encontram "actualizadas".

A cirurgia em ambulatório por menos 5,00€ e só um exemplo. Observem os magníficos saldos na saúde portuguesa:

Quem precisar de ver retiradas umas "pedras da bexiga" mais chatas, incorre no pagamento promocional, "moderador, racionalizador e regulador" do acesso a este cuidado, na módica quantia de 65,10€...

Uma radiografia mais apurada custa agora apenas 18,80€!
Uma análise à lactose por apenas 0,25€!
E mais 3 centenas de cuidados a taxas inacreditáveis!

Tudo com desconto em talão!... De IRS!


Diz a alínea a) do n.º 3 do artigo 64.º da Constituição da República Portuguesa que para assegurar o direito à protecção da saúde, incumbe prioritariamente ao Estado garantir o acesso de todos os cidadãos, independentemente da sua condição económica, aos cuidados da medicina preventiva, curativa e de reabilitação...

Tem razão quem considera estas taxas como um benefício para o actual sistema nacional de Saúde. Um sistema que prima pela discriminação deve ter taxas ditas "moderadas". Só é pena ser dedutível no IRS...

Questiona-se a produtividade de quem trabalha, os únicos que não usufruem de insenções ou descontos nestas taxas, mas não se questiona a produtividade do sistema de taxas moderadoras?!
Quanto ganha o estado por ter dinheiro vivo presente em todas as unidades de saúde públicas?
Quanto ganha o estado por ter tesoureiros, esperas para pagamentos, máquinas multibanco, transporte de valores, impressão de talões e todo um sistema burocrático invisível por detrás de tudo isto?

E quanto perde cada pessoa que sentindo-se necessitada, se nega aos cuidados por virtude destes pagamentos?


Não há benefício de dúvida que justifique esta "moderação" somente para os que trabalham.
Os isentos terão com certeza na sua maioria melhor destino que dar aos seus rendimentos do que a taxas moderadoras, mas e será que todos os que trabalham são livres de aceder ao nossos sistema nacional de saúde?


Conheço muitos casos e muitos mais haverá, de pessoas empregadas que se esforçam por sustentar uma família, e que se negam com muito sacrifício a recorrer à prestação de cuidados de saúde para si próprios, pelo simples facto de saberem que para além das eventuais despesas de transporte, faltar ao emprego etc. AINDA têm que pagar taxas moderadoras.

Ainda que seja funcionalmente rentável
, será humano estimular as pessoas a prescindir do seu direito à saúde, através da arma do dinheiro?!

Dos ricos, esses, os poucos que evitam recorrer ao privado, até deixam por vezes 'gorjeta' se forem bem atendidos. Para esses a famosa "moderação" não existe.


Este regime que causa prejuízos no sistema, injustiça e desconforto nos cidadãos compensará os evitamentos de "prestar cuidados a quem não tem certeza que deles precisa"???...