Domingo, 5 de Julho de 2009

A questão é: Qual o futuro da ecologia política em PORTUGAL?

(citação de 2005 do blogue: http://ecopartido.blogspot.com/)

Primeiro vamos então tentar saber o que quer dizer ecologia politíca e fazer um pouco de história:

O que é Ecologia Política?

A expressão eco e ecologia é usada de uma maneira de tal modo desgarrada e sem critério, que me leva já a supor a visão redutora e muitas vezes caricatural que uma grande parte da opinião pública tem da ecologia. Agora quando se acrescenta a palavra política, a idéia que o comum dos cidadãos tem da ecologia passa por uma mudança: o desinteresse, a desconfiança ou um paternalismo que se atribui a uma moda que se acha passageira, transforma-se em curiosidade, franzir de sobrolho ou até perplexidade e soltam-se comentários do estilo: "O que é que esses gajos ( os políticos ) andam a tramar desta vez?
Não há dúvida de que a ecologia política, pelo menos aos olhos da opinião pública, ainda não adquiriu o estatuto de noção clara e distinta. O que é então ecologia? E ecologia política?

A palavra aparece na segunda metade do século XIX. Termo utilizado pela Biologia, em sua origem, a Ecologia é uma disciplina científica, e "É a ciência que estuda a relação triangular entre indivíduos de uma espécie, a actividade organizada desta espécie e o meio ambiente, que é, ao mesmo tempo, condição e producto da actividade, portanto condição de vida daquela espécie".

Aplicada aos homens, a ecologia é o estudo da relação da humanidade com o meio ambiente, isto é, da maneira como se transformam mutuamente e de como o meio ambiente permite que a humanidade viva.

Já sabemos todos e ouvimo-lo constantemente na comunicação social, os cientistas a falar das desgraças que aí vêm ( não haja duvida que virão...), os tsunamis e os furacões e como somos responsáveis por eles, devido ao modo como estamos TODOS ( eu também...) a aquecer esta bola única no negro espaço, as galinhas e as suas gripes, as vacas com as suas loucuras, os outros frangos com dioxinas, o que comemos está contaminado, o que bebemos, o que respiramos...Tudo isso é a ecologia científica que quantifica e explana e deixa sempre no ar que... que o quê?? Que temos que agir...Nós quem?? eu, o zé tuga?? Eu é que tenho de pensar em que medida a nossa organização social, a maneira como produzimos e consumimos, modifica o meio ambiente? Eu?? eu estou preocupado com a conta do carro, do telemóvel, do empréstimo ao banco, aos assaltos, ao levar os putos á escola...

Então, á noite, no escuro do nosso recolhimento deveríamos pensar que: cabe-nos a nós homens, escolher o modo de desenvolvimento que desejamos, em função de valores que evoluem no curso de debates públicos. E quem é que quer saber dessa merda!?!?! O benfica ganhou, não ganhou? Já pago o IVA, o IRS, o IRC, o IMT e o XZQWC, não é?!?!?! Então não me Chateiem!!!!

No entanto e levando em consideração os desequilíbrios provocados pela actividade humana, a ecologia política passa a se interrogar acerca da modernidade e a desenvolver uma análise crítica do funcionamento das sociedades industriais.
Essa análise questiona um certo número de valores e de conceitos-chave sobre os
quais se apóia nossa cultura ocidental.

E a política? e os Políticos? e de que modo é que eu, zé tuga, que não faço a mais pequena ideia... de quase nada de realmente importante, posso influenciar os Políticos, eles é que deveriam ser sábios conduzir-nos, não era? e ter em consideração essas coisas dos passarinhos e das baleias e dos chaparros cortados... que até dão um jeitão lá para a lareira, no meu T1, com vista para a IC19, não acham?

O problema, amigo zé tuga é que os políticos e todos o sentimos nos seus discursos ocos, repetitivos, tipo cassete-carvalhas, agora cassete-jerónimo, não conseguem mudar a realidade e a realidade é que a esperança revolucionária desapareceu do horizonte, o comunismo faliu e o projecto socialista decepcionou. Portadora de grandes ambições durante todo o século, hoje a política está muito debilitada. Não há nenhum mal em que a política se torne mais modesta, entretanto sua actual impotência e seu enfraquecimento face
à economia são extremamente perniciosos. Uma sociedade sem projeto político, entregue às forças do mercado e sugada pela espiral do “produzir cada vez mais” só pode levar ao crescimento das desigualdades sociais e das crises ecológicas. É urgente, portanto, dar novamente sentido e conteúdo à política.

E é isso que o Partido da Terra deseja e quer, mas a pergunta é: e vocês? o que estariam prontos a ceder para mudar as coisas? não esquecer que somos nós os consumidaores que damos o mote para a produção... largariam o carro para ir de bicicleta para o trabalho? afinal temos pouquíssimos dias de chuva no total dos 365 dias do ano... e os detergentes? pagaríamos mais para adquirir os biodegrádaveis? tipo ecover? e a comida? pagaríamos mais agora para poupar na farmácia e no sofrimento daqui a uns anos? e retornar ás aldeias? largando os shoppings da moda?

Ora digam lá de vossa justiça...

Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

A ignorada terceira via...

O problema económico surge porque os recursos das pessoas (e dos governos) são escassos enquanto que os desejos humanos são ilimitados.

Há recursos que não são escassos, os chamados bens livres. Mas a água por exemplo é cada vez menos livre e o próprio ar fresco que respiramos e que abunda de tal forma que o consideramos um bem livre pode tornar-se escasso com o aumento de contaminantes.

A escolha económica é decidir entre diferentes usos de recursos escassos.

Os dois principais sistemas económicos são a economia planificada (ou centralizada) que é a qual em que todas as decisões económicas são tomadas pelo governo. O governo decide o que produzir, como produzir e como ser distribuído aos consumidores, envolvendo um elevado nível de planeamento.
A Economia planificada tende a ser utilizada por governos que tencionam criar equidade entre consumidores. Pelo planeamento do estado, bens e serviços podem ser produzidos para satisfazer as necessidades de todos os cidadãos de um país e não de apenas dos que têm dinheiro para os adquirir.

Temos também a economia de mercado que é a qual em que as decisões são tomadas através do sistema de mercado - as forças da oferta e procura, sem interferência do governo a determinar como os recursos são distribuídos.
Neste sistema o que é produzido é definido pela capacidade de lucro de um determinado produto. A forma de organizar a forma de produzir é igualmente determinada pelo que é mais lucrativo. As empresas são encorajadas através do sistema de mercado a adoptar os mais eficientes métodos de produção. A produção é feita para quem tiver poder de compra para ela. Consumidores sem dinheiro não podem comprar nada.

A pobreza e a riqueza na economia vivem flutuando sobre os níveis de escassez e de abundância.
E sendo a escassez a ferramenta útil do lucro, a abundância nunca é promovida ou deliberada pelos mecanismos económicos.

O crescimento económico não é sinónimo de qualidade de vida. Por todo o mundo há cada vez mais pobres e mais fome e nem por isso há mais ricos ou mais justiça.

O Mundo vive num feudalismo misto de entre estes dois modelos, mas há uma terceira via, cada vez mais ignorada e preterida em função dos anteriores:
Economia de subsistência é a do pequeno comércio e pouca especialização. As pessoas tendem a viver em grupos familiares e esses grupos produzem a maioria da sua comida, erguem as suas próprias casas, etc. Em que no limite, os grupos são auto-suficientes. É uma economia tradicional porque é o tipo de economia que tem existido por todo o mundo desde que o homem começou a sua actividade económica.
O quê, como e para quem produzir são decisões que são tomadas ao olhar para o passado. Se uma sociedade conseguiu sobreviver por algum tempo, então o que foi feito no passado teve de ser bem sucedido.
Não existem duas economias tradicionais iguais pelo que neste sistema é portanto impossível de descrever mecanismos económicos pelos quais os recursos são distribuídos. Aqui a ciência global aproxima-se da filosofia da liberdade individual…

Ignorá-la é continuar a votar na insustentabilidade…

Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

Espírito Soberano, faz de conta.

Aproxima-se um tal de 10 de Junho, onde se celebra não se sabe bem o quê. Um país por cumprir dizem alguns... Toda uma identidade digo eu...

Fora de nacionalismos ingénuos, desperto a consciência para um conceito usado e abusado por todos os pensantes, opinadores e manipuladores de intenções - a soberania.

Falar de soberania de um país é falar de independência, autodeterminação e poder de um povo (se houver regime democrático).
Ninguém ousa afirmar que Portugal não é soberano. O autoritarismo necessita invocar a soberania mantida para justificar a luta contra os que a ela atentam. Por seu lado o anarquismo não consegue defender a ausência de autoridades para algo que não seja autónomo.

Sem soberania Portugal não seria mais que uns limites geográficos. A soberania quer-se porque ninguém abdica de ter uma identidade, um carácter, uma origem e um destino.

Mas até que ponto Portugal é soberano?
Não falemos do "quero posso e mando" que já nada tem que ver com soberania, apenas com orgulho.
O estado obedece à lei?
A lei obedece à constituição?
A constituição obedece ao povo?
Quanto valem as regras?...


Portugal pertence ao Mundo como o Mundo pertence a Portugal. As fronteiras, o mar ou o espaço aéreo não podem ser grades de uma cela. Privar o Mundo de Portugal é aprisionarmo-nos num caixão esperando a morte.
Na nação como na vida, é essencial h
aver pensamento soberano e culto de soberania quer individual quer colectivo. Sem vontade soberana não existe personalidade.

Entidades internacionais ditarem regras a um país não é forçosa perca de soberania. Mas depender dessas regras externas para que as autoridades portuguesas se exerçam, de facto não abona.

Vivemos num país que não depende dele próprio mas de outras soberanias de nações. Pior, de interesses.
Metade dos alimentos que Portugal necessita só satisfazem Portugal porque há outras soberanias que o permitem.
O mesmo sucede com 80% da energia, 80% das nossas políticas, 99% da nossa autodeterminação...
Pescamos nas nossas águas o que outros nos deixam pescar e cultivamos na nossa terra o que outros nos deixam cultivar.

Soberano?
Não. Em boa verdade nem as convicções o são. Nem mesmo a força para todas as acções, para todo o nobre valor - a imperatriz coragem, o é.
Nós aprendemos tão-somente o que outros nos querem ensinar.
Pensamos o que outros nos impingem.
Vestimo-nos e comportamo-nos como o olho social nos quer ver.

Soberania é uma miragem de oásis para quem vagueia num deserto sedento. Um chamariz que nos move no nosso percurso de vida. O contra-balanço do esquecimento.

Faz falta mais independência, primeiro de espírito, depois do corpo.
Entretanto, haja saber viver no meio-termo porque todo o extremo é apenas uma referência.

Sexta-feira, 22 de Maio de 2009

Pensar Europa além dos 'europismos'...

Com a campanha à porta, os intervenientes políticos das várias candidaturas desdobram-se em assaltos partidários limitando a discussão política à cantiga que já vem sendo cantada internamente...

Analisando a substância dos últimos 2 meses de debate público, eis a que se reduz a discussão europeia - os europismos (por oposição a europeísmos):
- Fundos para combater a nossa crise;
- Votar ou não Durão Barroso;
- Controlar mais ou não o mercado;
- Continuar ou não negociações com a Turquia;
- Vender ou não soberanias nacionais.

O que vai ser da União Europeia com ou sem Tratado constitucional é sem dúvida o tema mais estruturante e importante do momento europeu.
Mas em tempo de eleições para um novo mandato europeu, será só esta a questão de fundo a discutir pelos futuros Eurodeputados de Portugal?
Eu penso que mais haverá, e de grande relevo para o nosso país.

Penso também que a diferença deve ser marcada e como exemplo para os leitores, esmero aqui outros europismos que têm sido esquecidos ou renegados para segundo plano:

A ZONA EURO:
Distinto da zona da União, cresce o número de países interessados em adoptar o Euro como moeda. Para além dos países da União há mais de vinte nações que indexaram a sua moeda à do Euro, catorze das quais africanas incluindo Marrocos e Cabo Verde que contabilizam já 150 milhões de pessoas influenciadas pelo Euro!
Estes semi-aderentes auferem de beneficios da bem sucedida estabilidade da inflação e ganham competitividade extra através de um mais estável e fácil câmbio nas transacções para com a Europa e mercados indexados. Ninguém fala disto? Pois eu vejo nisto um sinal claro que a soberania económica da União resulta onde a tentativa de soberania constitucional falha...

ALARGAMENTO
: Provavelmente o assunto menos importante para o mandato que se avizinha. A União levará todo o mandato a tentar encontrar a melhor forma de gerir a união a 27 estados. E sem que haja consenso entre a forma de gerir a União, não faz sentido a entrada plena de novos membros.
Em todo o caso, desde 1986 que o alargamento da União tem sido feito para Leste. E se agora ponderamos a entrada de Rússias e de Turquias, há que ponderar a entrada de países que estão mais perto de Bruxelas!
Refiro-me aos mediterrânicos como Argélia e Tunísia, ou aos Norte-Antânticos Marrocos ou mesmo Cabo Verde. Trata-se de países demasiado interdependentes da actual União para ficarem marginalizados por algumas milhas de mar e trata-se sobretudo de países mais próximos de Portugal e determinantes no mercado Ibérico.
(Recorde-se que em 1957, ano dos Tratados de Roma, a Argélia integrou a CEE enquanto território francês)

QUESTÃO DE MARROCOS:
Longe de uma eventual adesão, o país não-europeu mais próximo de Portugal reclama por uma aproximação à União.
Deve haver políticas de maior aproximação a um país cujas relações nos podem amenizar os nossos problemas enquanto região periférica da União.
Mas há mais...

Desde 1980 que Espanha e Marrocos trabalham no sentido de tornarem viável a ligação por túnel (ferrovia), tendo a mesma sido defendida junto da comissão europeia em 2007.
Nem a Comissão Europeia nem nenhum país europeu para além da Espanha se tem mostrado interessado em que esta ligação se viabilize.
O que se justifica pelo receio por parte do actual bloco europeu desta ligação trazer valias incomensuravelmente extraordinárias a Espanha (e Portugal!) e elevando o poder da Península Ibérica na Europa.
Ninguém fala disto porquê? Nem o PS que se diz representante da europa em Portugal e que tanto adora TGVs a qualquer custo faz menção desta ligação (mais que não fosse para justificar a sua megalomania).

AESM - Agência Europeia de Segurança Marítima:
Está sedeada em Lisboa na área da antiga Expo'98 (aparte - Parque Expo reduziu recentemente o seu passivo para duzentos milhões de Euros..."só?").

O Orçamento anual desta agência ultrapassa os quarenta milhões de Euros para prestar continuado apoio e aconselhamento técnico à Comissão Europeia e para manter a capacidade de instalar sistemas operacionais de resposta a poluições por hidrocarbonetos.
Não afirmo que seja dinheiro mal gasto, mas muito provavelmente trata-se de uma agência que poderia ir muito mais longe já que a segurança marítima diz respeito a muito mais que um derramamento de crude...

FORÇA ARMADA EUROPEIA:
É no mínimo caricato que se pondere a criação de uma força europeia em prejuízo de forças nacionais quando nem uma Guarda Costeira conjunta se consegue instituir.

A UE foi criada para a PAZ e é a isso que se deve reduzir a sua intervenção militar. Deve haver no entanto planos de contingência mas não esqueçamos que a força europeia já existe de facto.
Às forças dos vários estados, cada um com especiais valências e experiências falta-lhes somente uma unidade de comando com autoridade para coordenar recursos militares de vários países para as diferentes acções de defesa e manutenção de paz que eventualmente se constate.
Esta entidade na forma de coordenação será aceitável em prol do garante da soberania europeia perante o Mundo, mas nunca será procedente que uma força destas se venha a substituir à NATO ou à ONU na sua presença internacional.

Se os europistas que nós temos tido são a nata de Portugal lá fora, então talvez sejamos merecedores do que temos...

Segunda-feira, 4 de Maio de 2009

Dia 9 de Maio - Dia da Europa, que Europa?

Como um dos símbolos da União Europeia, comemora-se a declaração de Robert Schuman de 9 de Maio de 1950, o dia seguinte após o fim da 2.ª grande guerra, fecundando o período do pós-guerra com inédita cooperação franco-germânica.

A declaração de 9 de Maio de 1950 marca o início da Europa Federal, e o que começou com uma cooperação da indústria do Carvão e do Aço é hoje uma instituição que interfere na soberania de todos os europeus, controlando mais de 70% das leis de cada estado-membro e preparando-se para controlar em exclusivo as pescas, os recursos marinhos, imigração, etc.

Existe alternativa! O federalismo europeu não tem necessariamente de ser coisa ruim, mas este federalismo proto-ditatorial que temos é hoje a posição vigente e dominante nas instituições Europeias que enfraquece a União.
E enquanto que por Portugal se vai debatendo se há-de ou não ser dada autonomia às regiões, é a própria autonomia da nação que nos continua sendo tirada debaixo dos nossos narizes.
Que pensarão os egrégios avós que tanto sangraram por manter livre e autónomo este país de nobres heranças?

Sendo pró-europeu e por uma Europa forte capaz de liderar o mundo a uma globalização justa e solidária. Dou por mim sonhando por uma Europa que não temos (logo aprofundarei mais este tema)...

Por ora, há outras hipocrisias europeias para além da democrática. Uma das piores é aquela que todos relegam para segundo plano ao menor sinal de crise.

A 9 de Maio de 1950, Robert Schuman ditava "Com meios acrescidos, a Europa poderá prosseguir a realização de uma das suas funções essenciais: o desenvolvimento do continente africano".
Cinquenta e nove anos depois, África continua sendo um assunto marginal, servindo somente de mero aproveitamento político como muitos outros.
Milhares morrem todos os dias por doenças facilmente tratáveis, não muitos menos morrem pela ganância de alguns que ainda assim conseguem o papel de negociador diante dos decisores europeus.

Com a actual crise económica e adjuvado pela perigosidade do H1N1, a Europa do "EU" prepara-se para uma nova era de proteccionismo:
Conhecido como teoria em que o estado protege o comércio ou a indústria nacional favorecendo-o em detrimento do livre-comércio, o chavão do 'proteccionismo' está em voga.
Rodeado de hipocrisia manipuladora, o termo tem sido nos últimos meses repudiado por responsáveis europeus sob a ameaça do proteccionismo diminuir transacções internacionais e a saúde económica.
São os responsáveis dos países ocidentais que mais discursam contra medidas proteccionistas mas é precisamente dos países respectivos que surjem os principais pacotes de medidas de apoio às in
dústrias nacionais como a automóvel.
Enquanto isto a recém-integrada Europa de Leste continua aprisionada pelas limitações seguidas na perspectiva de obter fundos estruturais, cada vez menos certos em função da "crise".

Numa visão distanciada, prenuncia-se que num ritmo egoísta corremos de olhos vendados para uma Europa de fronteiras encerradas ao exterior.
Parece uma catástrofe humanitária, e é!

Não precisa grandes teses, basta olhar para a evolução ao longo de toda a história.
Desde sempre que são as potências mais civilizadas as que continuam a evoluir com maior velocidade social e
tecnologicamente.
Daqui por mais cinquenta anos, podemos ter a sorte de contemplar uma Europa mais liberal, mais humanista, mas vamos tristemente continuar a assistir à realidade internacional de nações como um Sudão, um Congo ou qualquer outro país sem condições de digna sobrevivência.

Sem a presença de uma solidariedade assumida e efectiva, esta irreversível disparidade progressiva entre culturas e nações fará com que as políticas externas de coesão internacional continuem a cair aos pés do proteccionismo.

Faz tudo parte do processo de globalização, mas que globalização nos servirá melhor? Uma que divida por classes os países em avançados e atrasados? ou uma globalização em que quanto maior o poder, maior a responsabilidade?

A coesão europeia é uma tentativa que tem tido os seus frutos. Já o mesmo não se pode dizer da coesão mundial. A ONU não passa de uma ideia desprovida de poder e a concorrência económica entre as sociedades modernas impede-as de tomar responsabilidade pelas nações mais desfavorecidas.

Não me surpreende que a meio do século estejamos numa realidade de guerra aberta entre o eixo das potências com algum nível de avanço, e todas as outras nações que sentindo-se culturalmente distantes, tentam conseguir através do conflito melhores condições de vida.

Educação.
Dá-se dinheiro e dá-se alimentos a quem deles precisa desesperadamente, mas não vejo com optimismo este futuro se não começar a haver uma maior preocupação e acção de globalizar matérias chave como a informação e educação.

Infelizmente se constata que o progresso individual é uma conquista de maior prazer do que a busca pela coesão e solidariedade. E por isso se não abrirmos os olhos, estaremos condenados a um futuro de miséria em que nenhum rico se sentirá rico.

A coesão mundial entre todos os seres humanos só é possível com uma educação disponí
vel para todos. Comparado com isso, o alimentar, financiar ou investir em países pobres é uma esmola temporária que se dá a quem nada tem e nada pode fazer.

Ensinem estes povos a pescar, e se o peixe acabar, ensine-se a produzi-lo! Só assim haverá sempre peixe para todos, pescado por todos.
Desenvolver África não é oferecer-lhes os bens que nós temos, é dar-lhes as capacidades...


Que no dia 7 de Junho, os Algarvios não prescindam do único poder real que ainda detém – o voto.

Paulo Rosário Dias - Candidato ao Parlamento Europeu pelo MPT - Partido da Terra

Segunda-feira, 27 de Abril de 2009

"O Triunfo dos Porcos, a Desonra dos Bravos"

O sistema não funcionava...
Camaradas militares, oficiais genuínos
Gente disposta contra os cretinos
Tinha que se acabar com a trapalhada!
Chegara o momento da vitória
E sem procurar louvor ou glória
Se iria calar a gargalhada.

Partindo na madrugada
Um oficial liderou para Lisboa
Uns subalternos em brigada
Ocupando do beato à madragoa

Com a democracia desinibida cravou-se os louros pela descida
Desfilando na avenida que antes de ser já o era;
Mas a verdade fez-se bera parindo história iludida
Criando um monstro sem nome...

Depressa se sentiu uma ignorância
Que em toda e qualquer instãncia
Se nos mostrou fazer fraco da gente;

Longe dos tumultos nos trópicos
Começara pois a ditadura
Que com polícias e censura
Conteve a fome dos utópicos;

E sem a ver perdurar
Num surto sem cura
O alegre povo festejou
Legitimando amargura;

Agora a liberdade prostitui um símbolo
Que iguais não definem e dele se faz o que se quer,
Do fraterno uma desculpa, para o que der e vier.

Os ideiais esses,
Só nos espíritos se vivem, só na alma se manifesta
E sempre que a mesma data isso testa
Não há heróis nem canções nem flores
Que nos salvem do que resta...


Paulo Rosário Dias, Abril 2009