sexta-feira, 3 de abril de 2009

Regresso ao Futuro...

Janeiro de 2007 - mês de desastres naturais (e humanos). Iniciou-se o período climax do efeito despertador de "uma verdade inconveniente" para a problemática das alterações climáticas.
Profetizar, sempre um exercício divertido, fez com que na altura durante uma troca de correspondência mais inspirada me levasse a tecer um cenário futurista sem tendências pessimistas:

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A experiência da ciência demonstra a imprevibilidade das previsões.
No exemplo da demografia, sempre se previu no séc. XIX um crescimento exponencial em que as projecções fundadas no gráfico do crescimento populacional só por si, indicavam uma população de 20 biliões para 2020, contudo nos EUA o crescimento desacelerado aproxima-se da estabilização. Na Europa, atingido o pico entre 1995 e 2000, agora decresce.

Algumas ideias genéricas de uma previsão, completamente aberta, para 2060:

Parece-me crível antever que o número de pessoas atinga os 25 biliões ainda antes de 2060, salvo calamidades globais como uma terceira guerra mundial, epidemias globais ou outros acontecimentos "apocalípticos".

Mais pessoas implica mais energia. Considerando o nível de esforço dos países em reduzir as emissões (ainda que pouco vigorosa), penso que as emissões em 2060 não serão maiores que hoje.
Poluição:
Poluição atmosférica e águas residuais não representarão problemas de risco maior do que o risco que já corremos. Isto porque apesar do aumento dos poluentes, as práticas de tratamento irão sendo implementadas.
Resíduos sólidos urbanos será um problema! A reciclagem hoje em dia é quase que meramente industrial, movida por factores económicos. Em 2060 ainda se encontrará espaço para Aterros (sob cidades etc.), mas em 2200 não haverá espaço de manobra para o depósito do nosso "lixo". Políticas restringidoras quanto à produção de embalagens e outros produtos não absorvíveis pelo ambiente terão urgentemente que ser reforçadas.

Se considerarmos a evolução positiva da exploração espacial, veremos a possibilidade de o nosso Sol se tornar numa inceneradora brutal, salvando-nos assim da nossa porcaria e por outro lado dar azo ao comodismo irresponsável...

Outras poluições como a poluição sonora e luminosa estarão a crescer a um ritmo desenfreado, auxiliado pela evolução das novas tecnologias, maquinizações e automatizações, o planeta terá cada vez mais uma "iluminação própria". Será igualmente uma fonte de radiações várias ao nível de uma pequena estrela.

Na tecnologia vamos ver inteligência artificial não em máquinas de estimação mas nos próprios humanos. Nós somos os robots do futuro.
O mundo pode nunca ter paz mas todos nós poderemos estar em paz com o mundo se sentirmos dele harmonia. Nunca confundir com o comodismo que chamamos de conforto e que tirar-nos-á o carácter e a identidade individual que nos torna humanos.
E se hoje já temos chips, órgãos artificiais, auxiliares, peças que reduzem o peso ou sensores que substituem sentidos, em 2060 teremos uma infinidade de possibilidades que vão deixar descaracterizada a nossa antropomorfia.

Voltando mais ao estado social, com mais dois terços da população existente, a noção de distancias será muito menor, o factor proximidade será menos relevante para se determinar relações e influências.
O crescimento nos países desenvolvidos estarão estabilizados. Se a imigração conseguir sobreviver com a relativa liberdade, o desproporcional crescimento das diferentes etnias levará a medidas de Controlo da natalidade (protecçionismo à etnia local).
Por outro lado temos países asiáticos como a India e a China que em 2060, serão no seu conjunto portadores de dois terços da população mundial. Isto trará consequências decisivas na evolução tecnológica, nacional, de mercado, e social.
A China irá continuar a exportar humanos para todo o mundo e se por ventura aquela nação ter um impasse na economia, assistiremos estupefactos à maior debandada demográfica de sempre...

Os transportes evoluem, a mobilidade crescente possibilitará a todos a dispersão fácil pelo mundo. Talvez por isso nunca se veja uma China e Índia hiper-lotadas, mas sim uma cara asiática em todas as ruas de todos os bairros em todas as nações...

Com tão fácil mobilidade haverá ainda mais receio face à impossibilidade de se conter a fome, a doença ou o crime que um mundo povoado mas repleto de realidades distintas impulsionará.
A liberdade continuará a caminhar para a mera ilusão, sacrificada em nome da segurança. Haverá então o dilema entre ou proteccionismo ou o controlo. Poderemos até continuar a ver fronteiras abertas, mas tudo e todos estarão registados, controlados e invadidos na sua identidade.”


Em 2007, distante da crise de hoje, era certo como hoje que a ciência económica engenha a mutação do sistema com base nas projecções...
Contudo a ciência social estuda e acompanha mas continua sem engenhar nada... Se as seguintes gerações não compensarem esta falta, os robots do futuro terão menos humanismo que os fósseis do passado.
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segunda-feira, 16 de março de 2009

Informação no novo milénio.

A par do conhecimento, a informação é a arma mais importante de sempre.
Sempre o será, já Sun Tzu o declarava à 2500 anos.

A informação é a maior ferramenta de manipulação das opiniões.

Ela é usada em função do interesse, quer este seja em prol de uma estratégia nacional, política ou pessoal.
As pessoas sempre usaram da informação para jogar estragemas. Isto constata-se em guerras, concorrência económica e política, não olvidando o interesse pessoal de cada indivíduo.

Quanto maior é o acesso à informação, maior é a importância da habilidade que se têm com ela. Se uma sociedade for muito ignorante, uma simples informação pode orientar drásticamente uma mentalidade, uma opinião, uma posição, uma vontade. Quando uma sociedade é já de si mais permeável à informação, é necessário maior destreza para conseguir os objectivos visados.

Nunca a informação foi tão acessível como hoje. Nem nunca a informação foi tão crucial como hoje na orientação política e na salvaguarda de interesses de uma pessoa, de uma empresa, de uma nação.

A realidade em que vivemos hoje é por isso um constante arremesso de informações, orientadas para um determinado objectivo (mesmo que subliminar). Isto não torna as pessoas mais inteligentes por si só, apenas origina maior destaque de posições entre os mais convictos e maior confusão entre os menos convictos.

DESINFORMAÇÃO.
Considera-se desinformação, quando a informação transmitida visa nublar uma opinião alheia, impedindo-a de olhar a realidade como ela é. Cada vez ela é mais frequente, cada vez ela é mais inevitável. Mas toda a desinformação será sempre um obstáculo no caminho pela Verdade.

Que fazer então face a esta desinformação e informação orientada para tudo menos a verdade?
Bom, na verdade pouco haverá a fazer em relação a isso. Como toda a
informação, a desinformação continuará a ser cada vez mais usada como ferramenta da condução de opiniões e valores.

E apesar de hoje, um maior acesso à informação potenciar capacidades humanas, a posição social não dá atributos a este nível. O Homem estárá tão em risco de estar mergulhado em discernimento ilusório quanto maior for a sua aptidão e habilidade de raciocínio.

Assim, a guerra da informação torna-se também, a guerra da razão.

Se por um lado, uma pessoa razoávelmente sensata e racional se julga capaz de discernir boa informação de má informação, uma pessoa menos instruída na capacidade intelectual, com personalidade menos propícia à contestação da informação disponível, se julgará muito mais manipulável.

Aqui a humildade desconfiada vence a arrogância segura. Sempre foi assim desde à milénios atrás, com a diferença de hoje se tratar de outra escala.

A manipulação de uma
notícia não será incorrecto desde que não prejudique a integridade moral de outrém.
Nunca poderemos exigir a todos os humanos, um pensamento completamente imparcial face à divulgação da informação nem devemos nunca renegar/limitar em nenhuma instância, a liberdade de expressão quando ela não prejudica uma integridade.

Tal como uma lei pode ter diferentes interpretações, sendo umas mais razoáveis que outras (e apenas por isso geralmente reconhecidas como as correctas), um acontecimento, uma acção ou uma atitude podem também ter diferentes interpretações.
Não se trata de dois pesos para a mesma medida, mas sim de interpretações inconscientemente ou conscientemente a dirigir a informação.

Informação é uma guerra que tem que ser travada com todas as armas, e idependentemente dos resultados que uma manipulação dela possa trazer, GANHARÁ SEMPRE aquele que foi isento de interesse e especulação deliberada.

É por isso uma questão de consciência. Muitas vezes sem resultados "justos", mas não esqueçamos que o mais importante é a preservação do carácter.

Infelizmente trata-se de uma questão de consciência num mundo de interesses.
Ninguém come e respira consciência tranquila, todos nós temos desejos e necessidades, e por isso não consideramos a consciência tranquila como o valor absoluto e supremo das nossas vidas.

Mas que ela terá o seu valor, não hajam dúvidas!...

quinta-feira, 5 de março de 2009

Proteccionismo, o papão europeu.

Conhecido como teoria em que o estado protege o comércio ou a indústria nacional favorecendo-o em detrimento do livre-comércio, o 'proteccionismo' está em voga.

Rodeado de hipocrisia manipuladora, o termo tem sido nos últimos meses repudiado por responsáveis europeus sob a ameaça do proteccionismo diminuir transacções internacionais e a saúde económica.
É dos países ocidentais que surjem os principais pacotes de medidas de apoio às indústrias nacionais e são os responsáveis dessas nações os que mais apelam à ausência destas medidas nos países terceiros.
Enquanto isto a Europa de Leste vê-se aprisionada pelas limitações seguidas na perspectiva de obter fundos estruturais, cuja atribuição agora sofreu novo revés.

A hipocrisia europeia fervilha de vida neste tema.
A este ritmo egoísta, corremos de olhos vendados para uma Europa de fronteiras encerradas ao exterior.
Parece uma catástrofe humanitária, e é!

Não precisa grandes teses, basta olhar para a evolução ao longo de toda a história.
Desde sempe que são as potências mais civilizadas as que continuam a evoluir social e tecnológicamente mais rapidamente.

Daqui por 100 anos, podemos viver numa europa mais liberal, mais humanista e mais evoluída, mas vamos tristemente continuar a assistir à realidade de nações como um Sudão, um Congo ou qualquer outro país sem condições de digna sobrevivência.

Por isso, sem a presença de uma solidariedade assumida e efectiva, esta irreversível disparidade progressiva entre culturas e nações fará com que as políticas externas de coesão internacional continuem a cair aos pés do proteccionismo.

Esta é uma questão inteiramente ligada à globalização. Ela é inevitável, mas que globalização nos servirá melhor? Uma que divida por classes os países em avançados e atrasados? ou uma globalização em que quanto maior o poder, maior a responsabilidade?

A coesão europeia é uma tentativa que tem tido os seus frutos. Já o mesmo não se pode dizer da coesão mundial. A ONU não passa de uma ideia sem poder e a concorrência entre as sociedades modernas impede que tomem responsabilidade pelas nações mais desfavorecidas.

Não me surpreende que daqui a 100 anos estejamos numa realidade em que assistamos a uma eterna guerra aberta entre as potências com algum nível de avanço e todas as outras que sentindo-se culturalmente distantes, tentam conseguir através do conflito melhores níveis de qualidade de vida.

Não vejo com optimismo este futuro, e com menos optimismo verei se não começar a haver uma emergente preocupação e acção de globalizar matérias chave como a informação e educação.

Infelizmente se constata que a simples evolução é uma conquista pessoal maior e de maior prazer do que a busca pela coesão e solidariedade. E por isso se não abrirmos os olhos, estaremos condenados a um futuro miseravel.

A coesão mundial entre todos os seres humanos só é possível com uma educação disponível para todos. Comparado com isso, o alimentar, financiar ou investir em países pobres é uma esmola temporária que se dá a quem nada tem e nada pode fazer.

Não é com oferta de peixe que se acaba com as fomes. Ensinem o mundo a pescar, se o peixe acabar, ensinem a produzi-lo! Só assim haverá sempre peixe para todos, pescado por todos.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

O Darwinismo Social... democrata?

Em cada um dos 200 anos após o nascimento de Charles Robert Darwin tem-se comemorado por toda a parte as inspirações que dele surgiram.

Não se trata de celebridade.
Ele não invalidou o criacionismo. Como dizia o grande Agostinho da Silva, porque não considerar a evolução e a selecção natural como sendo sucessivas criações?...

A Origem das Espécies, com mais ou menos inspiração de antecessores como Thomas Malthus, deu o mote à ideia de que tudo na sociedade poderá estar condicionado por uma selecção natural.

Repudiado como doutrina racista e imperialista, o Darwinismo Social é cauteloso no debate filosófico. Afinal o Darwinismo Social assenta na ideia de que a competição entre indivíduos, grupos, nações e ideias determinam a evolução da sociedade humana... Na sua essência esta ideia credita aristocracias genéticas e fere assim o humanismo de toda uma sociedade que aspira todos comos iguais. Um tema melindroso certamente.

Deste pensamento, reconhecendo que os pobres não conseguiriam sobreviver sozinhos, foram criados os primeiros Estados Sociais, como o de Churchil.
Também nele se inspiraram as ditaduras fascistas, os xenofobismos e proteccionismo actuais.

Afinal, o Darwinismo Social é de facto o pensamento dominante. A competetividade é a máxima do sucesso das empresas, dos mercados, das democracias e das pessoas. Os abastados e os pobres evoluem genéricamente em direcções e velocidades diferentes.
Por isto, a manutenção do equilíbrio humano é uma luta constante de todos, e de nada nos vale hipocrisias que nos filtrem a visão do futuro para o qual queremos evoluir.

Em tempos de ameaças e oportunidades da crise, exige-se toda a sobriedade em prol da Sobrevivência das Espécies...

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Saldos nos cuidados de saúde!

São quase 300 as diferentes taxas moderadoras que desde ontem se encontram "actualizadas".

A cirurgia em ambulatório por menos 5,00€ e só um exemplo. Observem os magníficos saldos na saúde portuguesa:

Quem precisar de ver retiradas umas "pedras da bexiga" mais chatas, incorre no pagamento promocional, "moderador, racionalizador e regulador" do acesso a este cuidado, na módica quantia de 65,10€...

Uma radiografia mais apurada custa agora apenas 18,80€!
Uma análise à lactose por apenas 0,25€!
E mais 3 centenas de cuidados a taxas inacreditáveis!

Tudo com desconto em talão!... De IRS!


Diz a alínea a) do n.º 3 do artigo 64.º da Constituição da República Portuguesa que para assegurar o direito à protecção da saúde, incumbe prioritariamente ao Estado garantir o acesso de todos os cidadãos, independentemente da sua condição económica, aos cuidados da medicina preventiva, curativa e de reabilitação...

Tem razão quem considera estas taxas como um benefício para o actual sistema nacional de Saúde. Um sistema que prima pela discriminação deve ter taxas ditas "moderadas". Só é pena ser dedutível no IRS...

Questiona-se a produtividade de quem trabalha, os únicos que não usufruem de insenções ou descontos nestas taxas, mas não se questiona a produtividade do sistema de taxas moderadoras?!
Quanto ganha o estado por ter dinheiro vivo presente em todas as unidades de saúde públicas?
Quanto ganha o estado por ter tesoureiros, esperas para pagamentos, máquinas multibanco, transporte de valores, impressão de talões e todo um sistema burocrático invisível por detrás de tudo isto?

E quanto perde cada pessoa que sentindo-se necessitada, se nega aos cuidados por virtude destes pagamentos?


Não há benefício de dúvida que justifique esta "moderação" somente para os que trabalham.
Os isentos terão com certeza na sua maioria melhor destino que dar aos seus rendimentos do que a taxas moderadoras, mas e será que todos os que trabalham são livres de aceder ao nossos sistema nacional de saúde?


Conheço muitos casos e muitos mais haverá, de pessoas empregadas que se esforçam por sustentar uma família, e que se negam com muito sacrifício a recorrer à prestação de cuidados de saúde para si próprios, pelo simples facto de saberem que para além das eventuais despesas de transporte, faltar ao emprego etc. AINDA têm que pagar taxas moderadoras.

Ainda que seja funcionalmente rentável
, será humano estimular as pessoas a prescindir do seu direito à saúde, através da arma do dinheiro?!

Dos ricos, esses, os poucos que evitam recorrer ao privado, até deixam por vezes 'gorjeta' se forem bem atendidos. Para esses a famosa "moderação" não existe.


Este regime que causa prejuízos no sistema, injustiça e desconforto nos cidadãos compensará os evitamentos de "prestar cuidados a quem não tem certeza que deles precisa"???...

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

A teoria Obamocêntrica.

No pior Inverno das últimas décadas, com a eminência da catástrofe económica mundial, conflitos recuscitados (ex. Gaza com 1300 mortos e 5400 feridos) e ainda novos desastres sociais sem precedentes (epidemia de cólera no Zimbábue, pânico com a fome do Quénia, etc...), surge paradoxalmente uma "luz" que nos distrái da escuridão...
Barack Hussein Obama.
Este é o rosto da esperança que mesmo antes de qualquer política faz brotar lágrimas de alegria em milhões de seres humanos por toda a parte.
Um líder que lembra o imortal Lincoln ou o inspirador Kennedy, e que quase oblitera da memória os restantes 41 Presidentes da chamada 'Terra dos Livres'...

Na vitória das directas ninguém esperava a actual crise, mas é nesta mesma crise que a valorizada luz de Obama ainda mais se destaca.
Será este o 'Messias' da política futura?

A única certeza é a de que Obama já triunfou. Triunfa por conquistar os corações dos Norte Americanos e não só. triunfa ao futilizar as campanhas baseadas no medo e triunfa pela mera inspiração que a todos insta.

Barack pode nunca chegar a satisfazer um quinto das expectativas geradas, mas ensinou-nos que é possível chegar ao topo do mundo apelando à força interior de cada um, ao invés das fequentes demandas matreiras com que o comum líder se presta.

Avizinham-se anos de estagnação da economia, mudanças de comportamentos e do modo como vemos a sociedade humana actual...

Que não se deixe estagnar o espírito, pois a riqueza não provem do dinheiro...


Esperemos pois que o tão aclamado e jovem líder não desiluda ao ponto de se perder este novo pilar que se confia poder vir a suportar um progresso de consciência...