segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Saldos nos cuidados de saúde!

São quase 300 as diferentes taxas moderadoras que desde ontem se encontram "actualizadas".

A cirurgia em ambulatório por menos 5,00€ e só um exemplo. Observem os magníficos saldos na saúde portuguesa:

Quem precisar de ver retiradas umas "pedras da bexiga" mais chatas, incorre no pagamento promocional, "moderador, racionalizador e regulador" do acesso a este cuidado, na módica quantia de 65,10€...

Uma radiografia mais apurada custa agora apenas 18,80€!
Uma análise à lactose por apenas 0,25€!
E mais 3 centenas de cuidados a taxas inacreditáveis!

Tudo com desconto em talão!... De IRS!


Diz a alínea a) do n.º 3 do artigo 64.º da Constituição da República Portuguesa que para assegurar o direito à protecção da saúde, incumbe prioritariamente ao Estado garantir o acesso de todos os cidadãos, independentemente da sua condição económica, aos cuidados da medicina preventiva, curativa e de reabilitação...

Tem razão quem considera estas taxas como um benefício para o actual sistema nacional de Saúde. Um sistema que prima pela discriminação deve ter taxas ditas "moderadas". Só é pena ser dedutível no IRS...

Questiona-se a produtividade de quem trabalha, os únicos que não usufruem de insenções ou descontos nestas taxas, mas não se questiona a produtividade do sistema de taxas moderadoras?!
Quanto ganha o estado por ter dinheiro vivo presente em todas as unidades de saúde públicas?
Quanto ganha o estado por ter tesoureiros, esperas para pagamentos, máquinas multibanco, transporte de valores, impressão de talões e todo um sistema burocrático invisível por detrás de tudo isto?

E quanto perde cada pessoa que sentindo-se necessitada, se nega aos cuidados por virtude destes pagamentos?


Não há benefício de dúvida que justifique esta "moderação" somente para os que trabalham.
Os isentos terão com certeza na sua maioria melhor destino que dar aos seus rendimentos do que a taxas moderadoras, mas e será que todos os que trabalham são livres de aceder ao nossos sistema nacional de saúde?


Conheço muitos casos e muitos mais haverá, de pessoas empregadas que se esforçam por sustentar uma família, e que se negam com muito sacrifício a recorrer à prestação de cuidados de saúde para si próprios, pelo simples facto de saberem que para além das eventuais despesas de transporte, faltar ao emprego etc. AINDA têm que pagar taxas moderadoras.

Ainda que seja funcionalmente rentável
, será humano estimular as pessoas a prescindir do seu direito à saúde, através da arma do dinheiro?!

Dos ricos, esses, os poucos que evitam recorrer ao privado, até deixam por vezes 'gorjeta' se forem bem atendidos. Para esses a famosa "moderação" não existe.


Este regime que causa prejuízos no sistema, injustiça e desconforto nos cidadãos compensará os evitamentos de "prestar cuidados a quem não tem certeza que deles precisa"???...

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

A teoria Obamocêntrica.

No pior Inverno das últimas décadas, com a eminência da catástrofe económica mundial, conflitos recuscitados (ex. Gaza com 1300 mortos e 5400 feridos) e ainda novos desastres sociais sem precedentes (epidemia de cólera no Zimbábue, pânico com a fome do Quénia, etc...), surge paradoxalmente uma "luz" que nos distrái da escuridão...
Barack Hussein Obama.
Este é o rosto da esperança que mesmo antes de qualquer política faz brotar lágrimas de alegria em milhões de seres humanos por toda a parte.
Um líder que lembra o imortal Lincoln ou o inspirador Kennedy, e que quase oblitera da memória os restantes 41 Presidentes da chamada 'Terra dos Livres'...

Na vitória das directas ninguém esperava a actual crise, mas é nesta mesma crise que a valorizada luz de Obama ainda mais se destaca.
Será este o 'Messias' da política futura?

A única certeza é a de que Obama já triunfou. Triunfa por conquistar os corações dos Norte Americanos e não só. triunfa ao futilizar as campanhas baseadas no medo e triunfa pela mera inspiração que a todos insta.

Barack pode nunca chegar a satisfazer um quinto das expectativas geradas, mas ensinou-nos que é possível chegar ao topo do mundo apelando à força interior de cada um, ao invés das fequentes demandas matreiras com que o comum líder se presta.

Avizinham-se anos de estagnação da economia, mudanças de comportamentos e do modo como vemos a sociedade humana actual...

Que não se deixe estagnar o espírito, pois a riqueza não provem do dinheiro...


Esperemos pois que o tão aclamado e jovem líder não desiluda ao ponto de se perder este novo pilar que se confia poder vir a suportar um progresso de consciência...

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Sócrates contra Sócrates!

Apesar de a recente entrevista ao nosso Chefe de governo não trazer qualquer novidade, e apenas compilar a mistela de princípios "entrolhados" do José Sócrates previsto para 2009, o nosso Primeiro Ministro terá certamente créditos de que se pode orgulhar.
Também há que reconhecer que poucos ou menos aspectos do nosso Portugal melhoraram... mal seria se um governo fizesse tudo mal...


Mas o certo, é que temos um Primeiro Ministro (PM) reactivo, que argumenta ao sabor do vento político, e cuja a ainda convicente retórica, embora suporte as suas convicções, em nada se coaduna com a realidade do país.

Só na última entrevista:

Um PM que vive por base de medição dos seus resultados, a previsão de 6,8 do défice "deixado por Ferreira Leite", e que reconhece o grave problema do endividamento externo, é o único PM da nossa democracia que faz propaganda orgulhosa de um aumento propositado do défice.
"decidimos aumentar o défice até 3% e usar essa folga"
O Anterior governo PSD-CDS pode ter deixado o país com défice alto, mas nunca admitiu aumentá-lo propositadamente, muito menos com pompa.


Na questão do estatuto dos açores, depois de um Presidente da República vencedor por maioria absoluta fazer parar o país duas vezes para alertar para os malefícios de retirar poder ao PR (sendo ou não constitucional), o PM diz:
"Eu não encontro razões para me opor à esta leitura (do PS) da constituição, pelo contrário...".

É um PM que apesar das medidas anticrise já anunciadas, afirma:
"não há nenhuma economia preparada para reagir e para responder a uma crise destas"
"recessão, não escaparemos a isso".
Se o cenário é de desastre, porquê as medidas paliativas e não verdadeiras reformas?

Sabendo da suprema eficácia e crescente necessidade dos transportes colectivos, sobretudo os ferroviários; e sabendo das lacunas nos mesmos, o nosso PM refere a infeliz sequência de palavras:
"Estamos a investir na eficiência energética e nas rodovias".

Quando se vislumbrava um controlo das contas e do défice a 2,2 ou inferior, anunciou-se o derradeiro avanço das grandes obras públicas para "alavancar a competitividade".
Agora, com a "crise inesperada que só se vive uma vez na vida", e sabendo-nos "sem escape à recessão", no que concerne às grandes obras, o rumo é.... Não mudar nada, excepto o argumento justificador das mesmas:
"É justamente nestas alturas que o estado deve fazer investimento".
Para quê dizer isto se o governo não tenciona alterar nem para mais nem para menos o investimento previsto? Constata-se de facto uma outra diferença: agora, ao contrário do que acontecia à um ano atrás, estas obras representam aumento objectivo do défice.

O PM argumenta que em tempo de crise não se pode baixar os braços, mas noutra perspectiva poderá ler-se: 'com a crise, o governo não sabendo o que fazer, mantém-se inerte'.

"...a prioridade para 2009 é o emprego"
O PM usa ainda do argumento das grandes obras como que priorizando o emprego. Mas depois diz:
"Esses investimentos (TTT, TGV e NAL) são investimentos que não vão ter expressão em 2009".
Mais se poderia dizer que não vai ter expressão na próxima década!
Com a economia global estagnada, e as companhias aéreas em liquidação, será o TGV mais rentável que uma linha alfa? E será o NAL a única hipótese de manter a capacidade do transporte aéreo para a capital?

Um PM que se orgulha tanto das medidas sociais como o abono pré-natal e aumento de abonos para famílias mais carenciadas, e um PM que tanta referência faz à segurança das famílias que irão enfrentar momentos difíceis, expôe:
"não quero arriscar a falência de um banco no nosso país".
"em 4.º lugar, temos que apoiar as famílias".

Pergunta-se, quanto mais tempo irá durar a argumentação narcisista do nosso estimado PM e até quando irão os portugueses continuar a confiar na sua propaganda?...

Perderá inrresponsávelmente o PS, nesta janela de maioria absoluta, a oportunidade de reformar?

No final deste mandato de "modernização" da economia, muitos gostariam de poder voltar atrás no tempo...

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

O vírus da Crise!

Quando o capitalismo contrái a gripe, manda a precaução que nos afastemos do seu contágio.
E é exactamente neste período de choco que nos encontramos na actualidade.

Desde que o Homem usa do dinheiro para controlar as suas vidas, que existem altos e baixos na prosperidade social. Uns mais repentinos que outros.
Antes estivéssemos novamente em crise repentina pois dela poder-se-ia usufruir dos efeitos do choque, e com isso dar-se passos demarcados para um futuro adaptado.

Basta olharmos para o século findo para percebermos que foi uma crise prolongada que instituíu o salazarismo, mas não foi nenhuma que nos tirou dele.

E se hoje um novo Salazar se insurgisse, seria corrido no mesmo instante - Efeito da râ cozida - Se colocarmos uma râ num tacho com água a ferver, ela salta de imediato, mas se a colocarmos em água morna, e a aquecermos em lume brando, a rã acaba cozida por nunca ter sentido "choque".

Tal como revoltas modernizam mentalidades, ou como o guerrear potencia a ciência, é do choque que se obtem as grandes transformações!


2009 Será ano de choque?
Será com certeza outro ano engripado com a crise!
E como qualquer outra gripe, temos as mezinhas:
Temos um governo que dá subsídio de desemprego directamente às empresas para não constarem das estatísticas. Que oferece uns milhares de euros por cada novo posto de trabalho para que as empresas façam Sócrates cumprir a promessa dos 150mil. Salva-se as solvências privadas com dinheiros públicos e ainda há quem lucre com isso! Permite-se o constante agravamento da dívida pública e fala-se em "margens de manobra".

Que Doutores são estes que nos dão tais prescrições?
Não há direito a segunda opinião?!...

Todos nós sabemos que as mezinhas curam constipações e amenizam as gripes... Mas se nada mais for feito, no próximo Inverno cá estaremos a expirrar novamente!

Estaremos todos condenados à constipação eterna?
Quem está engripado são todos os que não se agasalharam.
As economias emergentes cuja economia se baseia na produção real e não na especulação virtual, só sofre alguma crise porque as economias ditas "emergidas" estão mais reticentes em comprar.
São o medo e a desconfiança que descem as compras, e é por essa via que as emergentes sofrem o que sofrem.

Portugal, que nem sabe produzir nem sabe especular, vai atrás das modas desde a revolução francesa.
Usa vacinas certas contra estirpes erradas. Portugal não é um outro país. Portugal não é o mesmo nem sofre as mesmas patologias que a Europa ou os Estados Unidos. Cada cura tem que ser tratada no plano a que compreende. E notoriamente, Portugal não está a cuidar de si!


A melhor cura?
Ninguém está imune á gripe em todas as estirpes. E ainda que hajam corpos mais fortes, mais Inverno menos Inverno o nariz pingará.
É assim o capitalismo, a lei do mercado prevê altos e baixos, sucessos e falências. E se ainda vivemos neste modelo pela ideia de não haver outro excepto utopias, que seja! Mas que saibamos tirar proveito desse modelo.

Que tenhamos à mão um bom sobretudo quando as temperaturas baixam. Que tenhamos atenção às diferenças térmicas. Que evitemos mais as economias doentes e nos acerque-mos das sãs.
Com tanta prevenção por fazer, deixemo-nos de caprichos políticos ou investimentos à moda dos outros e apostemos no que interessa!


Esta crise só agora começa a aqueçer, sem o choque para nos ajudar, ou saltamos pela nossa inteligência, ou cozemo-nos na ignorância...

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

10 de Dezembro - Dia Internacional dos Direitos Humanos

Os direitos humanos representam para uns, os direitos naturais do ser humano, para outros o conjunto normativo que resguarda os direitos dos cidadãos.

Em qualquer dos casos, hoje, Dia Nacional (desde 1998) e Internacional (ONU, desde 1950) dos Direitos Humanos, nunca é demais relevar a importância de uma das maiores autoridades históricas neste delicado tema - O grande mestre Padre António Vieira (em cima, foto do memorial inaugurado no passado 6 de Fevereiro na Calçada do Correio Velho, em Lisboa).

Aqui fica o óptimo artigo de Marco Maciel, senador (DEM-PE) e membro da Academia Brasileira de Letras, publicado hoje na imprensa brasileira:


«Padre Vieira e os direitos humanos


“Os erros dos homens não provêm apenas da ignorância, mas principalmente da paixão.
A paixão é a que erra, a paixão a que os engana, a paixão a que lhes perturba e troca as espécies para que vejam umas coisas por outras. Os olhos vêm pelo coração e assim como quem vê por vidros de diversas cores, todas as coisas lhe parecem daquela cor assim as vistas se tingem dos mesmos humores, de que estão bem ou mal, afetos os corações.” Essas são palavras do padre Antônio Vieira no Sermão da Quinta Quarta-Feira da Quaresma de 1669. Pascal, um século depois, repetiria o mesmo pensamento com exemplar concisão: “O coração tem razões que a própria razão desconhece.”

Não se pode deixar de ressaltar como característica primordial do padre Vieira a simbiose aparentemente contraditória do orador sacro com o político. Seus sermões, sobremodo, foram utilizados como veículo de propagação sacerdotal-missionária dos preceitos evangélicos e coincidiam com a patriótica solução de problemas múltiplos, socioeconômicos em especial, em favor de sua pátria-mãe e de suas colônias.

A propósito, no instante em que se faz memória da passagem do quarto centenário do nascimento do padre Antônio Vieira e em que se celebra a passagem dos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, impõe-se dar ênfase ao obstinado papel que exerceu o padre Vieira na defesa dos índios, negros, escravos, cristãos-novos e judeus.

Vale salientar, nesse contexto, duas lúcidas constatações do embaixador de Portugal no Brasil, Francisco Seixas da Costa, em suas Palavras liminares, registradas no livro Traços Marcantes da Vida e Obra do Pe. Antônio Vieira, de autoria do padre e professor da Universidade de Brasília (UnB) José Carlos Brandi Aleixo: “Quando também agora se assinalam os 200 anos da presença da corte portuguesa, cabe lembrar que a idéia de deslocação da capital do Império para o Brasil havia sido aventada por Vieira bem antes de 1808, pelo que talvez também lhe deva caber parte do mérito de empreendimento fundacional da modernidade brasileira”; e “num tempo em que a ética pública atenta cada vez mais para as questões dos Direitos Humanos, mais notável se torna a presciência de Antonio Vieira ao adiantar, na humanidade de seu verbo, muitas das preocupações que agora nos são comuns, mas que, à época, representavam uma nem sempre confortável visão antes do tempo.”

Clóvis Bulcão, historiador e escritor de romances históricos, ao se reportar à presença da comunidade judaica do Recife no período da ocupação holandesa, registra a atuação de Vieira entre os cristãos-novos, então muito discriminados, e o inclui como o primeiro, à época, a falar da convivência dos cristãos e judeus. Da mesma forma, anota o historiador, Vieira considerava a catequese dos índios como a única maneira de conquistar a região amazônica.

De 1652 a 1661, atuou Vieira como missionário no Maranhão, empunhando a defesa dos índios - e o fazia do púlpito, que, segundo o padre e professor da UnB José Carlos Aleixo, era considerado por Vieira “a única tribuna independente, perante a autoridade civil, para expressar agravos populares”. De lá foi expulso, juntamente com os demais jesuítas, pelos moradores que se sentiram prejudicados pela alforria dos indígenas daquele regime escravocrata que lhes vinham impondo.

Dotado de personalidade riquíssima e de aspectos aparentemente contraditórios, Vieira - catequista de indígenas, pregador jesuíta, orador em cortes européias, missionário, professor de Humanidades e de Filosofia, homem de Estado, pensador de larga visão, de enorme atividade epistolar e arguto ator em política externa, diplomata-síntese de sua época - foi, igualmente, “o mestre da prosa portuguesa clássica”, consoante a definição precisa do professor Rubem Queiroz Cobra.

Deixou-nos Vieira por volta de 200 sermões eminentemente originais. Entretanto, o que mais causa admiração é o zelo religioso de seu talento como orador sacro, vazado num estilo tão contundente que a mera leitura de seus textos nos faz revisualizar, ainda hoje, a imagem dinâmica de seus gestos no púlpito e ouvir-lhe a voz tonitruante.

Essa exuberante demonstração de criatividade foi naturalmente haurida na Ratio Studiorum dos jesuítas, toda calcada na filosofia de Aristóteles, na teologia de Santo Tomás de Aquino e nas humanidades clássicas das maiores sumidades greco-romanas. Não são de admirar, assim, suas metáforas, alegorias e inesperadas comparações, que não dispensavam o paradoxo - como no Sermão do Santíssimo. Sacramento (1645). “Milagres feitos devagar são obras da natureza: obras da natureza feitas depressa são milagres.” Nem é de estranhar mais esta outra, extraída do Sermão da Epifania (1662). “O estilo era que o pregador explicasse o Evangelho: hoje o Evangelho há de ser a explicação do pregador. Não sou eu o que hei de comentar o Evangelho: o texto é o que me há de comentar a mim. Nenhuma palavra direi que não seja sua, porque nenhuma cláusula tem que não seja minha. Eu repetirei as suas vozes, ele bradará os meus silêncios.”

Concluo com o poeta Fernando Pessoa:

“O céu estrela o azul e tem grandeza

Este, que teve a fama e a glória tem,

Imperador da língua portuguesa,

Foi-nos um céu também.”

Essas palavras, inseridas na Obra Poética do maior vate de Portugal no século passado, expressam o reconhecimento ao padre Antônio Vieira, cidadão de dois mundos - autêntico luso-brasileiro -, pois nele se associam utopia e ação e, em plena harmonia, fé e atividade missionária.»

domingo, 23 de novembro de 2008

O Algarve, Investimento ou Negligência?

O Algarve, a região espelho.
É possível traçar paralelismos entre Portugal Continental e a região do Algarve, sobretudo no nível demográfico:
Interior desertificado e esquecido, litoral desordenado, dependência energética e do automóvel, economia de carácter especulativo e não produtivo, transportes ferroviários e aeroportuários desvalorizados.

Existem no entanto grandes diferenças:
O índice de população envelhecida é 25% superior ao da média nacional. Há mais taxa de natalidade, de mortalidade e de divórcio. Em contraposição, a taxa de nupcialidade é bastante inferior à média nacional.
O número de médicos por habitantes é inferior em 20% à média nacional. Isto numa região que regista 40% de toda a capacidade hoteleira e dormidas de Portugal (exceptuando as camas paralelas).


O Algarve e o efeito-ilha.
A geografia confere à região uma localização periférica, no extremo sudoeste da Europa, situação agravada pelo facto de confinar com regiões pouco desenvolvidas no contexto dos dois países Ibéricos, o que provoca óbvias dificuldades acrescidas.
Ao contrário das regiões vizinhas, o Algarve vai deixar de receber fundos estruturais, ainda que sendo uma quebra progressiva de verbas ao longo dos próximos seis anos.
Associando o facto de as duas regiões vizinhas, o Alentejo e sobretudo, a Andaluzia manterem o seu estatuto actual (de beneficiários), verifica-se que se cria um outro efeito-ilha com o Algarve.
O Algarve terá então relativamente menos recursos externos para potenciar o seu desenvolvimento económico e social e os instrumentos financeiros de atracção de empresas também serão menos favoráveis
Há que racionar e racionalizar os fundos que restam à região. A cooperação inter-regional e os factores de competitividade no que respeita à atracção de investimento e recursos, tornam-se assim uma aposta chave na estratégia para os próximos anos.

O Algarve, altamente deficitário em recursos de toda a ordem (derivados de petróleo, alimentos variados, materiais de construção, etc.) vê-se limitado pelas fragilidades logísticas de uma ilha, sem contudo aproveitar a sua maior vantagem, o próprio mar.

Por sua vez, a anatomia actual do Algarve fá-lo figurável a um grande resort turístico inserido numa “grande vila rural do interior”. Sofrendo pois os precisos problemas dessa conotação:
- Longe das cidades, longe das infra-estruturas e longe das soluções. Isso limita todo o potencial do resort.
- Sendo o litoral o único território adaptado ao turismo, o turista acaba na maioria das vezes passando um mês na região sem conhecer mais que não seja um curso de golfe, uma praia, um hotel.
- Os factores de insegurança do litoral transpõem-se para toda a região, contudo, ao proteger-se somente o litoral turístico, instala-se um exponencial sentimento de insegurança na restante região.
- Os decisores, para gerar mais e melhor riqueza focam exclusivamente o litoral turístico, o resort, sublimando grosso modo o resto da “vila” que assim se vê limitada à mera manutenção (se tanto).

Prescindir do potenciamento da região em si, para desenvolver este ou aquele aspecto particular da oferta turística, é a má política que descalça o progresso sustentável!

Se potenciarmos a região, estaremos automaticamente a promover o interesse no investimento e a dar valor acrescentado quer ao que se perspectiva quer ao que já existe.


O Algarve, uma região turística!
Foi com a aterragem dos primeiros aviões comerciais em Faro a partir de 1965, e com a inauguração da ponte Salazar (25 de Abril) em 1966, que se determinou que o Algarve iria deixar de ser apenas uma terra de pescadores, conserveiros e fazendeiros para começar a ser a força nacional da nova economia emergente, o Turismo.
Já muito antes da inauguração da ponte internacional do Guadiana em 1991, a indústria conserveira desaparecera, mas os novos visitantes sempre apreciaram o peixe fresco assim como a restante gastronomia regional por demais para que também estas actividades sucumbissem.
Hoje temos o perigoso envelhecimento dos que possibilitam essa gastronomia, cortes nas cotas de pesca, proibição da apanha de marisco, frotas abatidas, concorrência com barcos espanhóis, marroquinos e chineses, todos de custos de produção reduzidos.
Ainda assim, o Algarve resiste.

Por mais que se veja dois Algarves de aquem-mar distintos, o Algarve não é divisível!
Além da actividade piscatória, a actividade turística que se verifica no litoral depende da mão-de-obra do barrocal, e dos dividendos da serra. Não se deve subestimar o paradoxo de o interior subdesenvolvido suportar a actual capacidade turística do litoral.
Este efeito simbiótico entre o litoral e o interior não deve ser negligenciado.
O turismo é a indústria económica da região com os pilares praia e golfe. Infelizmente esta estrutura foi montada por força da especulação e não por estratégia.
Investe-se em constantes retoques ao sabor do vento empresarial, remenda-se instrumentos de ordenamento ao sabor do que vai sendo implantado à priori. Isto não é estratégia nem é gestão regional.


O mito do crescimento desenfreado.
O tecido empresarial existe e o interesse e os fundos de investimento estão sempre sedentos de espaço para apostar, contudo, as ofertas de investimento esbarram em muros de burocracia que afastam os interessados para outras regiões.
Pelo meio surgem então construções em zonas protegidas, erguem-se empreendimentos suspeitos e instalam-se novos magnatas do turismo.
De quem é a responsabilidade?
Criticam-se os casos como o Vale do lobo e da Praia da rocha.
Os prédios da praia da rocha foram aprovados antes de haver regulação que os proibisse, o Vale de Lobo foi um projecto que andou às turras com os planeamentos sucessivos durante anos mesmo depois de conferido o estatuto de interesse público e actualmente somente algumas edificações comerciais à “beira-praia” estão ilegais.
Vale de Lobo pode não ser um bom exemplo do ponto de vista historial, mas é facto que hoje é um resort de luxo, de baixa densidade populacional, fonte de riqueza 12 meses por ano que emprega milhares de pessoas.
Estas críticas aos maiores investimentos dissimulam verdadeiros atentados como o caso de toda a costa desde o Carvoeiro até Albufeira, onde se vislumbram loteamentos desagregados e blocos de apartamentos por todo o lado. Estes, ainda que na sua maioria respeitem os fracos planos de ordenamento da altura, geram tanto de economia paralela como riqueza real.

Apesar da experiência, continuam-se perdendo oportunidades.
Um empreendimento de grande valor foi recentemente edificado na margem espanhola do rio Guadiana (Costa Esuri), mais um investimento que pulou fronteiras por desinteresse português.
Que se conclui?
Atentemos num caso oposto.
A região tem agora um novo equipamento, um autódromo a ser complementado com toda uma estrutura complementar de elevadíssimo potencial económico. Este foi projectado e construído em tempo recorde. Como foi possível?
Tal como qualquer outro projecto privado, não há habitação ou empreendimento que se materialize se ficar numa gaveta. Não foi o suprimento de exigências, mas sim o avanço rápido entre as diferentes etapas que a classificação de PIN deu de valia à Parkalgar.

Um projecto, seja de pequena ou grande dimensão, não pode levar anos a ser analisado e confrontando com planos, que pelas alterações frequentes causam um impedimento cíclico.
Hoje podemos ter planeamento, mas será que serve o projecto de amanhã? Este é o medo dos investidores. Mesmo tendo planeamento continuamos com as grandes delongas entre procedimentos que atrasam projectos cancelam contratos e desesperam promotores.
Não são as restrições e condicionantes que impedem os investimentos. Para isso há contrapartidas e promotores capazes de valorizar as valências permitidas colmatando as negadas.

Ainda ao nível do ordenamento do território, não há construção dispersa como no litoral centro, nem há vivendas de luxo clandestinas em parques naturais como na Arrábida.
A região algarvia padece sim, do mesmo mal do resto do País, a burocracia processual.

É possível, com limites claros e objectividade processual dar corda ao privado estimulando ao máximo a diversificação da oferta turística, e assim atraindo novos turistas.
Desde o naturismo aos eventos desportivos, passando pela prática de desportos radicais e aventura (Náuticos, BTT Downhill, Trekking, paintball…), existe todo um potencial por explorar e gente interessada em explorá-lo.


Factores competitivos?
Enquanto se olhar para o Algarve como uma praia de Lagos a Tavira, estamos não só a esquecer o património histórico de um território como a negligenciar os algarvios e as suas capacidades integradas.

A praia por si só não constitui factor competitivo, a longo prazo será impossível competir com as praias quentes da Andaluzia, elas estão progressivamente a ficar mais limpas, mais cuidadas e mais apetrechadas de estruturas de apoio.
A chave do valor acrescentado para a praia e para toda a oferta turística do Algarve é a própria diversidade regional! Na Andaluzia é impossível estarmos numas termas vulcânicas a comer marisco de rocha fresco, é impossível ter bom surf com vista para monumentos nacionais, ou saborear um medronho acabado de fazer depois de ter jogado 3 campos de golfe diferentes na manhã…


O marketing e a oferta.
Angariar turismo não é uma questão de oferta, é competência do marketing. Oferta é aquilo que podemos providenciar em troca do dinheiro do turista. Com o marketing certo, consegue-se levar turistas do Sahara ao Everest, e se o marketing visar a oferta, o turista compra.

Temos pois um marketing internacional que foca em mercados distantes a “west coast”, o Sol, o Golfe, a paisagem. E foca bem pois são os pilares do turismo de excelência.
O gráfico de afluência turística em cada ano é paralelo ao investimento na promoção internacional.
É no Algarve que falta o marketing interno. Um turista que é deixado aborrecer-se no seu resort durante a sua estadia, é um turista que não volta. E assim se desperdiça todo o potencial que a diversidade regional representa para o rendimento e fidelização de cada turista.
É nesta base que surge o projecto CRIMA – Convenção Regional para a Implementação da Marca Algarve. Trata-se de uma ideia a desenvolver que visa colmatar esta lacuna recorrendo à interpromoção de valências turísticas entre as diferentes entidades regionais, comerciais ou não.


Acessibilidades.
As cidades servem de plataformas logísticas para o turista. E verifica-se em todo o historial do Algarve e mesmo de todo o território nacional que são os acessos que fazem das cidades o que elas são. As acessibilidades são por isso a matriz do ordenamento do território.
Será absurdo discutir um PROTAL ou mesmo troços de orlas costeiras, quando tudo quanto se projecta empurra as pessoas e os investimentos para os lugares que se visa salvaguardar, sobretudo se desenquadrado de uma estratégia regional de transportes.

A deficiência mais flagrante é a ferrovia.
O Algarve não é o mesmo de á 90 anos atrás quando se projectou a rede ferroviária do Algarve. O traçado Lagos-Tunes atravessa dunas e campos de golfe, circunda a ria de alvor (evitando esta localidade), passa por Portimão e segue para Silves (com a estação a 1500m do perímetro urbano da cidade!), segue então para Tunes evitando toda a faixa urbanizada Lagoa-Albufeira.
Por sua vez, os residentes de Sagres ou Aljezur continuam totalmente isolados a 30km da estação mais próxima (Lagos) e a 50km do centro comercial mais perto (Portimão) – Sagres é o local mais visitado do país a seguir ao santuário de Fátima.
A reconversão da actual linha ferroviária regional Poente-Nascente em comboio ligeiro eléctrico é um dos projectos já previsto pelo PROTAL, em discussão desde à dois anos, mas que ainda não passou de ideia…

O documento intitulado “estratégia Algarve 2007-2013”, documento elaborado pela CCDRAlgarve com colaboração da grande maioria das entidades regionais para orientar as verbas atribuídas à região, prevê além deste, outros grandes melhoramentos ao nível das acessibilidades. Infelizmente deles ainda só se vislumbra de longe a requalificação da EN125. Será preciso não deixar cair por terra o trabalho já feito.

A via do Infante pode merecer portagens se se provar rentável. É puro lobismo e populismo insensato defender o actual estado miserável da via rápida. Um turista que não possa pagar uma portagem não é o turista que faz falta. Uma empresa que dependa desta via decerto não terá problemas em adquirir a Via Verde.
Mas atenção! As gentes do Algarve nunca consentirão portagens na via do Infante sem que estejam asseguradas as alternativas indespensáveis à movimentação confortável de pessoas e bens. É preciso garantir a viabilidade da EN125 e de uma rede de transportes públicos que satisfaça as necessidades da região.

Além das acessibilidades, e qualquer que seja o caminho a dar à região, será necessário sustentar a estrutura económica da indústria turística.


Um Algarve sustentável?
O Algarve pode não ter problemas de abastecimento nos períodos mais calmos do Inverno, mas nos restantes meses turísticos depende do exterior para quase tudo! Mais que combustíveis e alimentos, é toda uma panóplia de produtos de aplicação constante. E tal como nações se debatem por serem o mais auto-suficiente possíveis, é preciso inverter a tendência de escassez de tudo, e tornar o Algarve sustentável.
Existem aspectos para já incontornáveis como o caso dos combustíveis, (1.ª Grande região afectada pela paralisação do passado Junho), artigos variados para a construção e mesmo tecnologias, mas há um aspecto essencial para o qual existem todas as condições, os bens alimentares.
É preciso promover a agricultura de subsistência regional, as pequenas pecuárias, os frutos, os legumes, os cereais e as especiarias.
A produção no Algarve tem que ser uma realidade que acompanhe o desenvolvimento turístico, porque senão estaremos a condenar a região à esfaimação com esta perigosa dependência da logística.
O Algarve não pode mudar de sítio. E como qualquer tribo que não seja nómada, a região tem que viver do que tem, reduzindo as dependências “externas” àquilo que não pode produzir naturalmente.
O turismo algarvio gera muita riqueza, mas ela pode ser mais competitiva se o “custo de produção” diminuir!

Também neste campo as acessibilidades importam e muito, mas há uma outra necessidade que importa acautelar…

O problema hidrológico do Algarve.
A barragem de Odelouca vai sem dúvida dar um folgo ao Barlavento. Mas num território em desertificação geográfica, e numa era em que o clima se mostra reticente em manter níveis de pluviosidade, será a Odelouca suficiente?
Os recentes campos de golfe começam a ter sistemas de maior eficiência no uso do precioso líquido, já reciclam e reaproveitam as suas águas, não deixando contudo de consumir milhões de litros… Mas e os existentes?! Temos que tolerar a desculpa do “já existia…” para continuar a permitir a resorts, o consumo abusivo e ineficiente da água que todos necessitam para beber?
Fecham-se repuxos e fontenários, baixam-se caudais de linhas de água e canais, até se “manda” as pessoas terem pânico aos autoclismos…e no fim nada se faz para com os campos de golfe ou piscinas!? Como se pode aceitar isto?
É preciso agir! Caso contrário teremos à primeira grande seca os pobres e os carenciados do Algarve (e é preciso não esquecer que os há) a morrerem à sede e à fome por a única água natural potável e gratuita servir as delícias dos golfistas e dos banhistas…

Sem água, não há comida.
Só estendendo a rede de canais a todos os pontos onde ela é precisa se conseguirá garantir a subsistência alimentar da região.
São possíveis mais barragens no interior…
Não nos preocupemos tanto com o potencial eléctrico, mas sim com a sede das pessoas...
E se o ciclo natural da água não nos favorece, dessalinizemos! Não podemos deixar a inacção repetir um caso Barcelona no Algarve!


Assegurado um futuro desigual para o Algarve.
As populações do Algarve já aprenderam à sua custa a lidar com as realidades distintas consoante se trate de uma zona turística ou mais isolada.
Mas que futuro lhes espera?

Reparemos nos principais projectos em curso e apontados para o Algarve para os próximos anos:
- Requalificação da EN125 – Em fase de negociação (300ME);
- Hospital Central do Algarve –
- Barragem de Odelouca – fase final de construção;
- Reconversão e adaptação da ferrovia Algarvia ao comboio ligeiro – fase de estudos;
- Central de Biomassa em Monchique;
- Requalificação dos portos de Albufeira, Quarteira, Fuseta e Olhão;
- Porto de pesca de Tavira (1ME);
- Porto de Recreio de Faro (2ME);
- Polis da Ria Formosa – Primeiras intervenções em curso, investimento de 87ME a concluir até 2012;
- Requalificação da zona ribeirinha de Alcoutim, Lagos, Faro, Olhão e VRSA – Algumas já em execução;
- Requalificação da Frente Ribeirinha de Portimão – Em negociação com privados, o projecto inclui a construção de um oceanário, um insectário e um planetário no valor estimado de 100ME;
- Novo projecto para o Aeroporto de Faro – nova fase de expansão que prevê a construção de caminhos de circulação de aeronaves e duas saídas rápidas de pista de modo a aumentar a capacidade de resposta para 30 aeronaves/hora para fazer frente aos 6,7 milhões de passageiros previstos para 2011;
- Conclusão do complexo da Parkalgar – Autódromo concluído, kartódromo previsto abrir na primavera e Hotel 5* estrelas já em Agosto 2009;
- 2 Novos aeródromos com características de aeroporto (Um no Barlavento, perto do novo complexo da Parkalgar, outro em Loulé, junto à Cimpor;
- A cidade judiciária e as novas instalações da PJ em Faro (1,3ME);
- Esquadra da PSP de Lagos (1,6ME);
- Alimentação artificial da Praia em Albufeira (1,66ME);
- Novo estabelecimento prisional do Algarve, a ser construído em Messines – Silves (1ME);
- Trabalhos para a navegabilidade do Guadiana, em Vila Real de Santo António (0,8ME);

São todos projectos a ser acarinhados e bem recebidos. Mas quais os concelhos que estes projectos beneficiam? São os mesmos de sempre, os concelhos costeiros de Lagos a VRSA.
Aljezur, Monchique, Vila do Bispo, Silves, S. Brás de Alportel e mesmo Alcoutim continuarão a ser esquecidos e condenados por não estarem perto da acção.

Reparando no PIDDAC para 2009 orçado em 99,9ME, os concelhos de Alcoutim, Monchique, São Brás de Alportel e Vila do Bispo não recebem um cêntimo do PIDDAC 2009, e mesmo Aljezur recebe uns vexatórios 1500€.

Tal como no Continente, ignora-se o interior o que significa que apesar dos investimentos, a região é na verdade, negligenciada.


Autonomia para o Algarve?
Urge minimizar estas assimetrias que se avizinham sobressaídas com as diferentes dotações orçamentais. Urge preservar o interior para sustentar a estrutura turística, e aliviar o fosso entre os 5% dos ricos que controlam uma riqueza equivalente aos 60% mais pobres.
No Algarve não se quer contrastes, quer-se coesão, união e sinergia.
Há ideias, só falta vontade.
Se a AMAL, a CCDRAlgarve e o Governo não conseguem levar por diante a sua própria estratégia definida e se não abre os olhos a uma região que sem guerrear se entregou a ser Portugal, então temos que ponderar:
A criação da Região Administrativa do Algarve.

Mas cuidado…
Por exemplo, Miguel Freitas, líder do PS Algarve e defensor da regionalização regozija-se com o PIDDAC 2009:“O investimento e as prioridades não escolhem concelhos. O investimento não é municipal, é da Administração Central”.
Trata-se de um bom argumento para se votar contra a regionalização!
O receio de novos “ditadores” regionais se deixarem cegar pelo turismo visível enquanto alheiam as estruturas sociais invisíveis, melindra a regionalização.
A gestão dos recursos financeiros deve ser regional, deve ser municipal e deve ser incisiva nos focos de desigualdade que existe na região.
Uma administração regional não é para fazer o que um governo central já faz. Serve sim para atingir com conhecimento, sensibilidade e eficácia, os objectivos que um governo central não consegue focar.
A regionalização serve para se poder chegar mais rápido onde mais se precisa, servir melhor as populações e interligar engrenagens locais. A regionalização não deve nunca esquecer os mais desfavorecidos ou ignorar terras esquecidas.

Com ou sem regionalização do continente, os sucessivos Governos continuam sem vontade e sem meios para descentralizar e desburocratizar a “galinha dos turistas d’ouro”. O Algarve precisa ser reavaliado como a região que reúne mais condições, quer pelas suas especificidades, quer pelas suas heranças históricas, para ser a região piloto da regionalização do continente português.