terça-feira, 16 de setembro de 2008

Portugal no Caminho das Estrelas.









Foi no passado dia 15 de Setembro, que a empresa Caminho das Estrelas, Turismo Espacial, S.A. teve formalmente inaugurada a sua futurística sede no Porto, Rua Aristides Sousa Mendes, 225, 1º, A1, (edifício Duparque na Avenida da Boavista), frente ao Parque da Cidade, com a presença do bilionário Sir Richard Branson, presidente do grupo Virgin.

Mário Ferreira (o primeiro turista espacial nacional) é o Presidente desta nova empresa portuguesa que representa em exclusivo em Portugal a Virgin Galactic dos voos espaciais. A Caminho das Estrelas foi reconhecida como sendo a primeira empresa europeia especializado no turismo espacial.

Não basta o simples facto da empresa Caminho das Estrelas, Turismo Espacial, S.A fornecer viagens de 150 mil Euros ao espaço, voos em gravidade zero, experiências e visitas aos locais de maior interesse espacial, esta empresa foi distinguida pela própria Virgin Galactic a nível mundial como empresa modelo e “case study” na área do turismo espacial.
Foi também nesta empresa que a Virgin confiou a formação de 10 agentes internacionais.


Sir Richard Branson: "Dentro de três ou quatro anos poderemos pensar sobre uma estação espacial aqui em Portugal ".
O bilionário inglês é dono de mais de 200 empresas e de uma fortuna superior a 2 mil milhões de euros.
Para além do turismo espacial, Branson está determinado na protecção do planeta. Não só investe todo o lucro das suas empresas em investigação sobre energias renováveis como por exemplo, oferece 18 milhões de euros ao cientista que, no espaço de 10 anos, consiga extrair determinados tipos de gases de efeito de estufa da atmosfera.

À semelhança do que está a ser feito no Novo México (EUA), o empresário admite vir a investir em Portugal, na construção de uma estação espacial. "Dentro de três ou quatro anos poderemos pensar sobre uma estação espacial aqui em Portugal", disse Richard Branson, que falava das possibilidades de investimentos em Portugal.
"Tivemos já algumas conversas, abordagens sobre o assunto", disse, confirmando que já tratou do tema com investidores e autoridades portuguesas.

Richard Branson disse "ter a certeza de que haverá outras coisas para fazer aqui", embora seja um mercado que conhece mal. Uma das apostas pode ser nas energias renováveis, área em que se mostrou agradavelmente surpreendido com o que está a ser feito.
Outro dos negócios é o dos ginásios. "Queremos que toda a gente em Portugal seja saudável", disse Branson, que apresentou os planos de expansão da rede "Virgin Active". Depois da estreia no Porto: nos próximos dois anos, vão abrir pelo menos três novos espaços em Gaia, Oeiras e Sintra, mas há mais ginásios previstos para as áreas urbanas do Porto e de Lisboa.


O Ministro Manuel Pinho.
O assunto surpreendeu o Ministro Português da Economia, que no mesmo dia inaugurara a maior central solar térmica nacional e a maior da europa com valência refrigeradora (instalada no edifício sede da Caixa Geral de Depósitos).

"É uma total novidade para mim", afirmou Pinho, acrescentando que isso mostra que Richard Branson vê Portugal como "um país com potencialidades".


Esperemos que o mesmo ministro que se surpreende com a qualidade do calçado português tenha a inteligência de acarinhar quer esta empresa e suas ligações quer os potenciais interesses do magnata britânico.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

O "10 de Setembro"!

A partícula de Deus, ou a fórmula Universal...

É o que os cientistas do CERN esperam encontrar com a activação do LHC já esta Quarta-feira.

No DN:
"Acelerador prepara experiência mais complexa

A maior e mais dispendiosa máquina científica do mundo "não representa qualquer perigo para a humanidade", conclui um relatório ontem divulgado pelos físicos do CERN (Centro Europeu de Investigação Nuclear, na sigla francesa).

Esta nova avaliação do Large Hadron Collider (LHC, o maior acelerador de partículas mundial) deverá silen
ciar de vez a tentativa de travar a mais complexa experiência científica de sempre, prevista para decorrer a partir de quarta-feira e cujos preparativos deverão começar ainda este fim-de-semana.

O objecti
vo da máquina é encontrar a menor partícula, base da matéria, o bosão de Higgs, também chamada "partícula de Deus", cuja existência a teoria prevê há 40 anos.

Um grupo tentou parar a experiência, alegando que se formarão buraco
s negros minúsculos e que estes vão engolir o planeta. O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos rejeitou uma providência cautelar, no final de Agosto, e este novo relatório explica que as experiências no LHC se baseiam em testes feitos nos aceleradores mais pequenos. A energia libertada na colisão de dois protões será idêntica à de dois mosquitos em colisão e que os buracos negros que se formarem serão diminutos, não havendo paralelo na natureza.

"Se as partículas em colisão no LHC tivessem o poder de destruir a Terra, nós não existíamos", conclui o painel de físicos do CERN, em resposta à preocupação do grupo que se reuniu em torno do teórico alemão Otto Rössler, o homem que deu a cara pela paragem da máquina.

Rössler representava a crítica mais articulada, mas há observadores para quem o LHC tem aspecto de máquina do fim dos tempos, algo saído da ficção científica ou da imaginação de Dan Brown, escritor que tem, aliás, um romance, Anjos e Demónios, passado no CERN e dedicado a este tipo de maquinaria de colisões entre religião e ciência.

O complexo acelerador custou 2,5 mil milhões de euros e o seu anel, enterrado na região de Genebra, na Suíça e França, tem 27 quilómetros. O LHC não estará a funcionar em pleno antes de 2010, e o custo do projecto, onde vão trabalhar 9 mil cientistas, será na realidade mais alto, da ordem de 8 mil milhões de euros, a pagar pelos 20 países que integram o CERN, incluindo Portugal. Para encontrar o bosão de Higgs, feixes de protões serão acelerados a velocidade próxima da luz, colidindo uns com os outros, numa tentativa de replicar as condições existentes após o Big Bang (o universo, tal como o conhecemos, terá sido formado pela explosão da matéria extremamente densa e quente). "


No G1:
"Em busca da unificação

Hoje, o entendimento do mundo físico se assenta sobre dois pilares. De um lado, há a física quântica, base para todo o modelo padrão da física de partículas. De outro lado, há a teoria da relatividade geral, que explica como funciona a gravidade.

Até aí, tudo bem. Temos duas teorias, cada uma regendo o seu próprio domínio de acção, e ambas funcionam muito bem. Qual é o problema? O dilema surge porque há circunstâncias muito especiais no universo que exigem o uso das duas teorias ao mesmo tempo. Aliás, o próprio nascimento do cosmos só pode ser explicado juntando as duas teorias. E aí é que 'a porca torce o rabo': as equações da relatividade e da física quântica não fazem sentidos, quando usadas juntas para resolver um problema. Começam a aparecer cálculos insolúveis e resultados infinitos -- sintomas de que há algo muito errado em uma das duas teorias, ou até em ambas.

Por isso, os cientistas têm uma esperança muito grande de que exista uma teoria maior, mais poderosa, que incluísse tanto o modelo padrão como a relatividade num único conjunto coeso de equações. Só essa nova teoria "de tudo" poderia realmente acabar com os mistérios remanescentes no universo.

... Suas esperanças estarão agora depositadas no LHC. É possível -- mas não muito provável -- que ele atinja um nível de energia suficiente para revelar a existência de novas dimensões, além das três que costumamos interagir no quotidiano.

E, ainda que não chegue lá, o LHC tem boas hipóteses
de produzir objectos que emergem directamente da interacção entre a gravidade e o mundo quântico, como miniburacos negros. "Esses possíveis objectos transcendem a relatividade real. Suas propriedades podem dar informações sobre regimes em que a relatividade geral já não é válida, como por exemplo, o regime da gravitação quântica", diz Alberto Saa, pesquisador da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).


O acelerador do medo

A imensa maioria dos físicos diz que não haverá perigo algum. "Os possíveis buracos negros são microscópicos", diz Saa. "Uma vez criados, seriam quase imediatamente destruídos, espalhando diversas partículas com padrões muito peculiares. A imagem do buraco negro faminto, devorando impiedosamente tudo ao seu redor, aplica-se apenas aos buracos negros astrofísicos, nunca a buracos negros microscópicos."

Embora os miniburacos negros pareçam ser inofensivos, há uma outra hipótese um pouco mais ameaçadora.

Os vilões dessa vez são chamados de "strangelets". Seriam partículas de um tipo exótico de matéria que não existe normalmente. O problema é que a teoria diz que, se um strangelet conseguisse tocar o núcleo de um átomo convencional, o átomo seria convertido em strangelet. Ou seja, se o LHC produzir strangelets, alguns físicos dizem que eles poderiam interagir com a matéria normal da Terra e iniciar uma reação em cadeia que consumiria o planeta inteiro.

...

A dúvida sobre os perigos do LHC não durará muito. Nesta quarta, ele receberá seu primeiro feixe de protões.

Em breve serão iniciadas as primeiras colisões com objetivos científicos. E aí, ou os rumores sobre a destruição do mundo se mostrarão completamente infundados, ou ninguém estará aqui para dizer que tinha razão..."


Edição de 23 de Setembro:

A "experiência científica do século como já lhe chamam, vai estar encerrada pelo menos até à próxima primavera. Isto deve-se a uma fuga de uma tonelada de hélio ocorrida no passado dia 19 de Setembro.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

5.º Canal de Televisao - Fim da consulta Pública!


A grande participação, que não houve!...

"Nos termos do Despacho n.º 19184-A/2008, de 16 de Julho, de Sua Exa. o Ministro dos Assuntos Parlamentares, publicado no Diário da República, 2.ª série, n.º 137, Suplemento, de 17 de Julho de 2008, que dá cumprimento ao disposto no n.º 10 do artigo 15.º da Lei n.º 27/2007, de 30 de Julho, esteve em consulta pública, até ao passado dia 29 de Agosto de 2008, o projecto de regulamento do concurso público para o licenciamento de um serviço de programas televisivo de acesso não condicionado livre (canal de televisão generalista em sinal aberto). O concurso público em apreço tem por objecto a atribuição de uma licença para o exercício da actividade de televisão que consista na organização de um serviço de programas de âmbito nacional, generalista, de acesso não condicionado livre e com vinte e quatro horas de emissão diária, utilizando espaço hertziano destinado à radiodifusão televisiva digital terrestre..."


Esta é a mensagem da GMCS (Gabinete para os meios de comunicação social) na qual apresenta os contributos recebidos no âmbito do respectivo processo de consulta pública.


Consulte a página de consulta pública para o 5.º canal (com
os contributos) aqui.

Após ter prestado um humilde contributo neste processo, expectante acerca da divulgação da participação do público, qual não foi o espanto quando me surgem as tímidas participações das principais entidades interessadas, e de três populares apenas!

Posto isto, há que reflectir:

Se numa época em que a influência da caixa mágica atinge todos os graus da consciência das pessoas...
Se num país onde se pretende acrescentar um aos 3 canais que controlam (e reflectem) a mentalidade, a opinião e a vontade dos seus cidadãos...

Se num assunto (conteúdo e impacto televisivo) que tanto se debate, se critica e inconscientemente inspira...

Como é possível haver tão pouco interesse e tão pouca participação?
Apesar de reconhecer alguma responsabilidade ao desinteresse generalizado sobre as discussões públicas, é também verdade que a publicitação deste processo deixou muito a desejar.

Certo que uma discussão pública não conseguirá compreender as opiniões de todos, os responsáveis pela abertura do processo devem contudo ser os primeiros a prestar informação e a divulgá-la junto das populações de forma a promover o envolvimento das pessoas nos assuntos que a todos dizem respeito. E muito sinceramente, neste caso, não vi qualquer esforço nesse sentido...


Polémicas irão surgir, quer com a escolha do concorrente vencedor, quer depois com o resultado da implantação do 5.º canal... E foi aqui, nesta fase do processo, em que muito poderia ter sido dito com efeito institucional...

terça-feira, 19 de agosto de 2008

'O pesadelo de Pequim'!

Laurentino Dias apazigua os efeitos de Vicente Moura...

A televisão mostra o desalento dos atletas e a desilusão dos esperançados. Mas será tudo um simples desaire desportivo do povo do "quase lá"?...

A atitude de Vicente Moura, Presidente do POC:
Desapontado com a prestação de Naide Gomes e Insaciado do apetite das medalhas, Vicente Moura confidenciou o fim da sua carreira à frente do Comité Olímpico de
Portugal (COP), a 5 dias do final dos Jogos de Pequim 2008.

“No futebol o que às vezes se diz é que matematicamente ainda é possível”, limitou-se a afirmar, adiantando que tem previsto dar uma conferência de imprensa no último dia dos Jogos, 24 de Agosto, na qual falará “de tudo o que está para trás, de Pequim2008 e do futuro”.

Certo é que já em Maio, em Santo Tirso, o presidente do POC tinha admitido o cenário de abandono caso a missão portuguesa em Pequim não cumprisse os objectivos traçados:
"Se não formos capazes, peço desculpa. Vou para casa, onde tenho umas pantufas confortáveis à minha espera".

Vicente Moura considerou que este é o «momento certo» para a sua saída do cargo e dar lugar a outras pessoas.
"Não sei se é preciso uma lufada de ar fresco. Estou é cansado. Fiz o que podia fazer. Sinto-me de consciência tranquila e agora quando chegar a Portugal vou de férias e vou preparar as eleições e entrego às federações o futuro do Comité Olímpico".

"Quando apresentei o plano ao Governo e pedi um determinado apoio financeiro dizia que se esse apoio financeiro fosse dado perseguiríamos os objectivos de três/quatro medalhas e 60 pontos. Parece que vai ser difícil cumprir esses objectivos".

Sobre os objectivos traçados, Vicente Moura recordou que Portugal somou 43 pontos nos Jogos Olímpicos de 2004, em Atenas, e que lhe pareceu que com mais duas modalidades e mais atletas, seria possível chegar aos 60 pontos.

"Não me queixo de ninguém nem de nada. Queixo-me apenas de que aqui faltou uma ponta de sorte".

Reacções:

Manuel Silvério, Presidente da Associação dos Comités Olímpicos de Língua Oficial Portuguesa, reagiu nobremente considerando a sua saída uma “perda” para o desporto...
Uma declaração políticamente correcta ou não fosse Vicente Moura,
além de dirigente do Comité Olímpico Português, dirigente da estrutura da organização dos segundos Jogos da Lusofonia, que terão lugar em Lisboa em 2009, por ventura uma competição mais aliciante?...

Laurentino Dias, Secretário de Estado do Desporto sustenta que é tempo de apoiar os atletas que ainda vão competir, para tentar que o saldo da participação portuguesa possa ainda melhorar até ao final dos Jogos, no próximo domingo. O voto de silêncio e de confiança, pelo menos enquanto durar a prova, diz Laurentino Dias, é "em honra da solidariedade que nos merece uma campeã chamada Naide Gomes, que hoje teve o seu dia pior, e um campeão chamado Nelson Évora, que daqui a dois dias vai competir para procurar aquilo que nós desejamos, que é uma medalha."

Laurentino Dias aproveitou para sublinhar que "esta Missão olímpica foi, talvez, a mais bem preparada e apoiada de sempre", reconhecendo, ainda assim, que isso "não significa que tenha de ter os melhores resultados de sempre".

A culpa de Vicente Moura.

Tivesse Vicente Moura parte do tino de Laurentino, e nunca teria posto a pressão que foi posta nos atletas, diga-se: a maior de sempre!. Além disso nunca teria proferido as declarações Scolarescas que proferiu, como que abandonando os atletas ainda em prova nas competições

Voltanto à previsão de Vicente Moura, o facto de em Antenas 2004 ter corrido bem, e agora em 2008 termos mais modalidades inscritas não é garantia alguma de melhores resultados!

O Sr. Vicente pode ter querido prometer as 4 medalhas e 60 pontos em ordem a conseguir o maior apoio financeiro alguma vez concedido para o COP - jogos olímpicos...

Mas foi desde aí que os 78 atletas começaram a se ver presos a uma pressão crescente, que teve o seu auge nestas duas terríveis semanas de Agosto.

Haverá portugueses que pensam que os jogos olímpicos são como um europeu de futebol em que os craques teem que ganhar, mas a verdade é que milhões de atletas vêm o seu sonho realizado só por conseguir um último lugar numa competição olímpica!

Foi em Vicente Moura que a pressão começou mas ao abandonar o barco, não a leva com ele. Foi ele o responsável pelo POC, o responsável pelos bons e maus resultados, e com a sua atitude de jogar a toalha ao chão a meio da competição, desampara atletas como Nelson Évora, um outro campeão mesmo sem medalhas chinesas...


Vamos a contas:
14 milhões de Euros foi a verba disponibilizada oficialmente para financiar o projecto Pequim 2008, que engloba os anos de 2005/06/07 e ainda os primeiros 8 meses de 2008, revertindo-se numa comitiva de 78 atletas.
16 milhões de patacas (+-1,3M€) foi o subsídio da fundação Macau para proporcionar a passagem da tocha olímpica por Macau, valor polémico cujas explicações ainda não convenceram os cépticos.
16,8 milhões de Euros fixou, ainda antes do início destes jogos, o Comité Olímpico de Portugal em proposta de orçamento para os próximos quatro anos (inscrita no Projecto de Preparação Olímpica Londres2012, bem como na evolução das esperanças olímpicas para os Jogos de 2016).

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Infestação na costa algarvia!...

O fruto proibido...

Já não bastavam as massagens maquiavélicas e o kite e windsurf terroristas... agora temos a fruta assassina, e uns prevaricadores que falam mal da obesidade...!

Proíbem-se a prática de desportos náuticos, inclusive olímpicos, não haja a eventualidade de haver incidentes... Isto até não é totalmente absurdo uma vez que em portugal, os desportos náuticos são considerados desportos marginais...
Mas o que sucede realmente quando se tenta oferecer fruta aos banhistas do Algarve?


À poucos dias, a campanha 'Roadshow Praias em Movimento - Energia Positiva', da Direcção-Geral da Saúde e da Galp, com distribuição gratuita de pêras, foi chumbada pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve. O objectivo, segundo os promotores, era divulgar o combate à obesidade. Segundo a CCDR era apenas fazer publicidade.

Uma outra campanha, a cargo da Fundação Portuguesa de Cardiologia e da Associação de Produtores de Maça de Alcobaça pretendia distribuir as maçãs gratuitamente, como o fez em 2007 nas praias entre Aveiro e Lisboa.
O comandante da zona marítima do Algarve, Reis Águas, considera que a iniciativa não passa de publicidade...
O presidente da Associação de Produtores, Jorge Soares, defendeu-se, dizendo que o objectivo da acção, um projecto em parceria com a Comissão Europeia e o ministério da agricultura, era o de sensibilizar para os benefícios de comer maçãs e assim combater a obesidade. Algumas capitanias proibiram mesmo a distribuição deste fruto, alegando tratar-se de publicidade que sujaria as praias...

A Associação de Produtor
es conseguiu chegar a acordo com algumas capitanias, e a distribuição vai ser feita apenas das maçãs, e não da brochura onde é apresentado o resultado de um estudo sobre o fruto. O Presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia, Manuel Carrageta, não consegue entender tal proibição...

No entanto um porta-voz da Marinha comunicou que o Plano de Ordenamento da Orla Costeira (POOC) Vilamoura-Vila Real de Santo António proíbe todas as actividades de marketing e publicidade nas áreas concessionadas.

Pergunta o cidadão: "Serão os perigos nefastos de ter os logótipos dos patrocinadores nos folhetos de campanha, tão graves ao ponto de justificarem estas medidas avulsas?".


"Massagens são risco para a saúde pública."

Neste tema as coisas são ainda mais caricatas...
Qual é a legislação e regulamentação que regula as massagens e massagistas em Portugal?!

O sindicato esclarece:
Apenas a massagem estética está regulamentada. As restantes formas de massagem podem ser feitas por qualquer um... ...Ao não estar regulamentada não podemos dizer que está legal ou ilegal. Como em qualquer país em que as coisas não estão regulamentadas, todas as pessoas podem praticar, como é óbvio.

As massagens, não sendo sequer actividade prevista no POOC, é actualmente licenciada ou indeferida pelas CCDRs e capitanias (ora quem melhor para definir aptidões à prática comercial das massagens sob pena das inaptas serem perigosas para a saúde pública do que organismos fora da direcção regional de saúde?!).

Trata-se portanto se uma actividade da qual certos senhores se apoderaram, saíndo beneficiários os grandes concessionários por motivos mais ou menos honrosos...

Ridículo não é?... Achamos (quase) todos...

Com estes destaques da época balnear algarvia, não será natural duvidar se
o mesmo tipo de autoridade que combate agressivamente marcas do povo da região, como a tradição (secular) do Banho 29... é o tipo de autoridade que queremos para nos fornecer a segurança e o conforto que carenciamos para a nossa costa?


*Nota: No dia 07 de Setembro, dia da cidade de Faro, o Primeiro Ministro José Sócrates vai ser medalha de ouro da cidade de Faro, em sessão pública.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

A DESpromoção do ensino do português no estrangeiro



Dias depois da Guiné Equatorial adicionar o Português como uma das suas línguas oficiais, o Governo Português lembrou-se...

Lembrou-se, esperamos nós. Pois no passado dia 16 de Julho, em Conselho de Ministros, o governo anunciou uma nova estratégia para a promoção e divulgação da língua portuguesa sem qualquer referência ao caso da guiné equatorial (pode consultar o comunicado na íntegra aqui).

Ora já desde cedo que o governo actual afirma como prioridade, o ensino do português no estrangeiro, direccionada sobretudo às comunidades de emigrantes.

Português é o terceiro idioma mais falado na África e Europa Mais de 240 milhões de falantes da língua portuguesa no Mundo justificam a aposta do Governo. Distribuída pelos cinco continentes, a língua portuguesa é a terceira mais falada nos continentes africano e europeu. Além da população residente em cada um dos oito países de língua oficial portuguesa: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, mais de cinco milhões de pessoas constituem as comunidades portuguesas espalhadas pelo Mundo. O português surge entre o quinto e o sétimo lugar das línguas com maior número de falantes, mas na Internet a sua importância é mais facilmente avaliada, estando em sétimo.

Objectivamente, criar-se-á um novo fundo no valor inicial de 30 milhões de euros, destinado a suportar ensino na Europa e África do Sul.

Ora aí está uma intenção governamental que seria de aplaudir.. ou não?
Talvez. Mas é preciso repreendê-lo! A actual publicidade à preocupação do governo é resultado de um total alheamento dos últimos anos sobre este tema que muito respeita a identidade lusa!

Um governo que após tantos alertas por parte das comunidades e intervenientes, e no mesmo tempo, tanto atitudes de abandono demonstra, deve ser alvo de repúdio enquanto não mostrar redenção efectiva destes erros.

O governo prova ser um falhanço quanto tenta ser a locomotiva da promoção do português, e o foco sazonal nesta ou naquela comunidade desprovido de motivos imperativos, condena todo um globo de potencial!

Veja-se:

1. No Orçamento...
Governo aposta no português mas diminui verbas. Em Novembro, o secretário de Estado Adjunto da Educação, Jorge Pedreira, fez saber que o número de alunos abrangidos pelo EPE aumentou de 61 mil, em 2005, para 64 mil. A contrastar, a proposta de Orça-mento de Estado para 2008, apresentada no Parlamento um mês antes, indicava que a verba para o EPE iria sofrer uma redução de 1,6 por cento, apesar de o ensino de português no estrangeiro ser uma prioridade.


Ou seja, como o número de interessados sobe, justifica apoiar menos (não vá o número de falantes aumentar, Deus livre!)... que boas estratégias para a lusofonia...
Para exemplificar o decréscimo no investimento do EPE- Ensino do Português no Estrangeiro, a responsável afirma que,
em 2003, existiam 1345 professores de português na Alemanha e agora existem 886.


2. Nas queixas...

EUA:
Dos Estados Unidos surgiram vozes críticas com o conselheiro das Comunidades Portuguesas José João Morais a acusar o Governo de desinvestimento naquele país e a lamentar que os cerca de 17 mil alunos de português tenham estado dois anos sem coordenador de português.

"Como é amplamente conhecido, o Governo português não gasta um euro sequer em iniciativas de apoio ao ensino da nossa língua em todo este país há mais de 10 anos", disse o conselheiro, acrescentando que "quem suporta o ensino são os pais, as associações, as igrejas e alguns mecenas".

Em 2006, no final do ano lectivo, os cerca de 200 professores de português das 67 escolas comunitárias portuguesas nos Estados Unidos terminaram as aulas com queixas de "abandono" por parte do Governo português e de falta de um Coordenador de Ensino.

"Somos como uns filhos órfãos que andamos à deriva e só sobrevivemos porque nos ajudamos uns aos outros conforme podemos", disse João Coelho, director da escola Portuguese United for Education de New Bedford, estado de Massachusetts.

Judite Fernandes, directora da escola Infante D. Henrique, de Mount Vernon, Nova Iorque, já se habituou a "sobreviver sem o apoio de Portugal", mas disse que custa a aceitar o "abandono completo".

No Cana:

Surgiram queixas da falta de apoios, quer financeiros, quer em livros, do Governo português.

A falta de professores e de orientações do programa curricular foram outras das queixas provenientes daquele país.

Na Alemanha:

Em Abril passado, na Alemanha, quando mais de 700 portugueses desfilaram, pela segunda vez em menos de um ano, em Estugarda e em Frankfurt, em defesa da estabilidade na colocação de professores de português.

A falta de professores em algumas localidades daquelas regiões deixou cerca de 250 crianças sem aulas de português no último ano.

Na Suiça:

Onde existem cerca de 15 mil alunos e 140 professores colocados pelo Ministério da Educação, também surgem ecos de que o EPE não está a funcionar bem devido à falta de meios humanos.

No Reino Unido:

O Grupo de Pais Portugueses de Lambeth, em Londres, chegou a pedir a exoneração do coordenador do Ensino de Português no Reino Unido, Lino Pascoal, que considera responsável por "problemas graves", como os atrasos do início das aulas.

Apesar das recorrentes queixas ao EPE feitas por pais e professores, o número de alunos de português no estrangeiro está a aumentar.


Mais uma vez, temos mais pessoas a querer aprender português... e cada vez menos apoio político.



A actual projecção do ensinamento da língua portuguesa encontra-se literalmente a cargo das associações das populações de emigrantes e outras, para as quais o governo português tanto é facilitador quanto estorvador.

Mais do que os recursos em si, a política tem que ser simples! Para cada comunidade o governo tem que deixar claro, ou apoia ou não apoia. Não pode é deixar a espectativa atrasar a iniciativa daqueles que por sua conta promovem o ensino.

E, uma vez ciente que às mãos do associativismo local a promoção da língua portuguesa ensinada, o governo, melhor que políticas de ideais populistas mas de princípios limitados, o que ele deve promover é uma estrutura acessível à qual todos os interessados possam aceder. Uma estrutura apta a disponibilizar material didáctico, profissionais e mesmo programas.
É melhor a estrutura que se abre a um todo, do que aquela que se fecha esgotando-se em 3 ou 4 comunidades.

Estando as comunidades livres de actuar, em igualdade de circunstâncias e fora de falsas expectativas, elas próprias mesmo sozinhas, proporcionarão a proliferação da aprendizagem.

Com a liberdade dada às associações em geral, o apoio do estado em termos de programas de "reabilitação" do ensino, poder-se-ia assim focar nas comunidades mais sensíveis e mais propensas ao abandono total da língua...

As comunidades não podem ser encaradas como projectos, nos quais são os homens do governo que determinam os PIN, em detrimento dos restantes. A política tem que ser coerente, a estratégia tem que ser global, e o objectivo tem que ser preciso: apoiar transparentemente o português e as comunidades!

Destaques pós artigo:
Dias 30 de Julho a 01 de Agosto: Convenção Mundial das Comunidades Portuguesas em Santa Maria da Feira. Ler mais...